Foto: Liviam Cordeiro Beduschi - WWF-Brasil Foto: José & Adriana Calo Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther
 

CAPÍTULO 5

RESULTADOS: A PAISAGEM DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

Outras áreas importantes na Paisagem de Conservação da Biodiversidade

Área Necessitando de Corredor: A conectividade entre os dois setores principais (norte e sul) da Paisagem de Conservação da Biodiversidade é crucial para a implementação da Visão da Biodiversidade. Nesta escala de análise, a área entre estes dois setores tem um índice de potencial para conservação muito baixo. Ainda que esteja sendo implementado no Brasil um projeto para criar um corredor de 50 m de largura (Iguaçu – Itaipu), que fará a interligação entre os dois setores, podemos antecipar a priori que isso não será suficiente para garantir uma conectividade adequada entre eles. Isto se dá porque o efeito de borda ao longo deste corredor estreito será extremamente alto (veja Quadro 4) e nessa área não há chance de se aumentar muito a largura ou criar uma boa zona tampão ao longo do corredor. Apenas as espécies mais generalistas (ou especialistas de borda) podem fazer uso desde corredor restrito. Por não haver disponibilidade de informações em escalas mais detalhadas para desenhar este corredor, foi identificada uma área mais ampla onde o corredor poderá ser proposto e implementado (Figura 35).

Bacias Hidrográficas Prioritárias: Finalmente, foram identificadas áreas importantes para o desenvolvimento do manejo de microbacias hidrográficas e programas de conservação (Figura 36). As bacias hidrográficas foram selecionadas com base em vários critérios: estado de conservação da bacia, presença de áreas protegidas (sejam de uso sustentável ou de proteção integral), presença de iniciativas de conservação em andamento e potencial da bacia em conectar a Ecorregião Florestas do Alto Paraná com outras ecorregiões vizinhas. Com relação ao último critério, duas dessas bacias hidrográficas (Rio Iguaçu e Rio Jejuí) são especialmente importantes por constituírem conexões em potencial com as Ecorregiões Floresta de Araucárias e Chaco-Pantanal, respectivamente.

A Paisagem de Conservação da Biodiversidade final está ilustrada na Figura 36. Ao se atingir essa paisagem de conservação em 50 anos, os objetivos de conservação da biodiversidade serão alcançados. Esta não é uma paisagem estática, uma vez que as análises e os esquemas em escalas menores poderão modificar ligeiramente essa forma final. No futuro, poderão surgir novas oportunidades de conservação da biodiversidade, permitindo que outras áreas sejam recuperadas e incorporadas nesta Visão. O monitoramento da situação real e os ajustes no gerenciamento das prioridades representadas nesta Paisagem de Conservação da Biodiversidade são cruciais para garantir que os objetivos da conservação da biodiversidade de longo prazo sejam atingidos. Esses resultados serão refinados ao longo do tempo como conseqüência do andamento e do maior detalhamento do planejamento da conservação, do desenho da paisagem e dos processos de tomada de decisão.

Representatividade das Unidades de Paisagem na Paisagem
de Conservação da Biodiversidade final


Pode-se dividir as 18 unidades de paisagem da ecorregião em cinco grupos, de acordo com suas representações na Paisagem de Conservação da Biodiversidade final (Tabela 6). Oito unidades de paisagem não têm representatividade na Paisagem de Conservação da Biodiversidade final. Estas mesmas unidades de paisagem não têm fragmentos florestais maiores que 1.000 ha (seis delas não têm fragmentos maiores que 500 ha). Os pequenos fragmentos que restam nessas unidades de paisagem estão bastante isolados, localizam-se em áreas de alto risco e possuem poucas oportunidades para conservação. Muitas das unidades de paisagem que não têm representatividade na Paisagem de Conservação da Biodiversidade estão localizadas na parte norte da ecorregião. Incluem todas as unidades estacionais (com mais de dois meses de período seco) e duas semi-estacionais. Estas áreas são próximas da Ecorregião Cerrado e provavelmente representam áreas de transição para essas ecorregiões.

O segundo grupo é composto por uma unidade de paisagem fracamente representada por apenas uma área isolada. Trata-se de uma área de grande altitude, semi-estacional e plana. Apenas 2,8% desta unidade de paisagem está representada na Paisagem de Conservação da Biodiversidade, mas não dentro de áreas de proteção integral.

O terceiro grupo é constituído por cinco unidades de paisagem que têm baixa representatividade em áreas de proteção integral (0,3 – 2,7% das áreas originais) ou nas Áreas de Uso Sustentável, mas têm boa representatividade em várias áreas isoladas e em áreas de manejo de microbacias. A representatividade final dessas unidades de paisagem na Paisagem de Conservação da Biodiversidade varia de 16,0 a 27,6% de suas áreas originais.


 
Foto: WWF-Canon/Anthony B. Rath
Sumário Executivo
 
Capítulo 1 – Conservação Ecorregional e a Visão de Biodiversidade
 
Capítulo 2 – A Ecorregião Florestas do Alto Paraná
 
Capítulo 3 – Objetivos para Alcançar os Resultados de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 4 – Planejando uma Paisagem de Conservação da Biodiversidade – Metodologia
 
Capítulo 5 – Resultados:
A Paisagem de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 6 – Estabelecendo prioridades e metas para ações de conservação
 
Referências Bibliográficas
 
Agradecimentos
 
Índice de Figuras de Tabelas