Foto: Liviam Cordeiro Beduschi - WWF-Brasil Foto: José & Adriana Calo Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther
 

CAPÍTULO 5

RESULTADOS: A PAISAGEM DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

Outras áreas importantes na Paisagem de Conservação da Biodiversidade

O quarto grupo é composto por três unidades de paisagem que têm alguma representatividade em Áreas Prioritárias (4,0 – 5,1% de suas áreas originais) e boa representatividade em Áreas de Uso Sustentável (13,7 – 15,5% de suas áreas originais).
A representatividade final na Paisagem de Conservação da Biodiversidade é de cerca de 30% de suas áreas originais.
Finalmente, uma unidade de paisagem (não estacional, baixa altitude, mas declivosa) tem uma representatividade razoavelmente boa em Áreas Prioritárias (12,9%) e em Áreas de Uso Sustentável (12,2%), atingindo uma representatividade de 32,5% na Paisagem de Conservação da Biodiversidade final.

Em resumo: ainda que algumas unidades de paisagem não estejam representadas na Paisagem de Conservação da Biodiversidade final, outras estão razoavelmente bem representadas. Como mencionado antes, tomar como objetivo uma boa representatividade de todas as unidades de paisagem desta ecorregião é praticamente impossível. Portanto, um dos quatro objetivos de conservação estabelecidos no início (representatividade de todas as comunidades ecológicas típicas da ecorregião) poderá não ser atingido já que muitas das unidades de paisagem identificadas na análise feita não estarão representadas na Paisagem de Conservação da Biodiversidade final. Entretanto, foi feito um esforço para se chegar na melhor representatividade possível de todas as unidades de paisagem. O objetivo é, portanto, preservar grandes blocos de floresta que sejam suficientemente resilientes e capazes de manter populações viáveis de espécies guarda-chuva e os processos ecológicos típicos que caracterizavam originalmente a ecorregião. A falta de plena representatividade de todas as unidades de paisagem na paisagem de conservação pode impedir, até certo ponto, que se alcance o objetivo de manter populações viáveis de todas as espécies nativas características da Ecorregião Florestas do Alto Paraná. Futuros levantamentos de campo podem identificar populações de espécies que somente são encontradas em unidades de paisagem não representadas na Paisagem de Conservação da Biodiversidade. Caso essas espécies sejam encontradas, será possível analisar alternativas para que sobrevivam por longo prazo, se isto for possível. Neste caso, pode-se incluir a possibilidade de leve modificação no desenho desta Paisagem de Conservação da Biodiversidade a fim de incluir a representatividade dos pequenos fragmentos florestais onde tais espécies são encontradas.

Numa estimativa grosseira, a preservação de uma população viável de onças requer uma área de, pelo menos, 525.000 ha. Uma área ainda maior, de cerca de 750.000 ha é necessária para preservar a população de harpias (ver Tabela 2, no Capítulo 3). A Paisagem de Conservação da Biodiversidade final tem mais que 1.200.000 ha em Áreas-núcleo de proteção integral. Entretanto, a estimativa de necessidade de área mínima apresentada acima refere-se a florestas contínuas. Garantir a conectividade das Áreas-núcleo com o estabelecimento dos Corredores Principais é, portanto, crucial para se atingir o objetivo de proteção das espécies guarda-chuva. Para se atingir a Visão da Biodiversidade também é vital a garantia de que, dentro de 50 anos, 100% das Áreas-núcleo, assim como uma parte das Áreas Prioritárias de outras categorias, estejam sob efetiva proteção integral. Atualmente, menos de 50% dos 1.200.000 ha de Áreas-núcleo estão dentro de áreas de proteção integral e situação semelhante ocorre nas outras categorias de Áreas Prioritárias para a Conservação (Figura 37). Para se atingir a proteção completa das Áreas Prioritárias para a Conservação, deve-se criar, implementar e manter efetivamente no mínimo 1.284.100 ha de áreas de proteção integral.

Da mesma forma, para a consolidação desta Visão faz-se necessária a criação e implementação de mais de 4.000.000 ha de Áreas de Uso Sustentável. Nessas áreas não se faz necessária a floresta contínua mas pelo menos 30% de cobertura florestal é desejável. Especialmente cruciais para a implementação desta Visão são os Corredores Principais, que totalizam mais de 1.200.000 ha, dos quais apenas 30% estão sob Proteção de Uso Sustentável (Figura 38).

Para se alcançar essa paisagem, além de assegurar uma parte relativamente grande da Paisagem de Conservação da Biodiversidade em áreas de proteção integral e em áreas de uso sustentável, a floresta nativa precisará ser recuperada em algumas áreas. Foram estabelecidos como objetivos a serem alcançados em 50 anos: 100% das Áreas-núcleo e de todas as demais áreas de proteção integral com cobertura florestal nativa contínua; pelo menos 70% da área total com cobertura florestal; pelo menos 30% de cobertura florestal nos Corredores e nas Áreas de Uso Sustentável e pelo menos 20% de cobertura florestal nas áreas de manejo de microbacias (o mínimo determinado pelo Código Florestal Brasileiro em propriedades privadas na Mata Atlântica). Isto significa que pelo menos 10% das Áreas-núcleo (mais que 100.000 ha) e pelo menos 50% dos Corredores Principais precisarão de recuperação. No total, uma área mínima de pelo menos 2.606.678 ha de florestas nativas precisam ser recuperadas para a implementação desta Visão
(Figura 39). Este é um objetivo bastante ambicioso e custoso, mas potencialmente alcançável.

Tabela 3. Representatividade em áreas protegidas
e cobertura florestal remanescente nas unidades de paisagem


Tabela 4. Fragmentos e cobertura florestal (ha) por unidade
de paisagem e por categoria de tamanho de fragmento


Tabela 5. Representatividade das unidades
de paisagem nas Áreas Prioritárias


Tabela 6. Representatividade das Unidades de Paisagem
na Paisagem de Conservação da Biodiversidade Final


Figura 32. Ilustração do conceito das categorias das áreas incluídas na Paisagem de Conservação da Biodiversidade


Figura 33. Áreas-núcleo

Figura 34. Áreas Prioritárias

Figura 35. Áreas de Uso Sustentável que conectam Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade

Figura 36. Paisagem de Conservação da Biodiversidade

Figura 37. Áreas sob Proteção Integral (no presente e no futuro) na Paisagem de Conservação da Biodiversidade

Figura 38. Áreas de Uso Sustentável

Figura 39. Cobertura Florestal nas unidades de paisagem
de Conservação da Biodiversidade


 
Foto: WWF-Canon/Anthony B. Rath
Sumário Executivo
 
Capítulo 1 – Conservação Ecorregional e a Visão de Biodiversidade
 
Capítulo 2 – A Ecorregião Florestas do Alto Paraná
 
Capítulo 3 – Objetivos para Alcançar os Resultados de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 4 – Planejando uma Paisagem de Conservação da Biodiversidade – Metodologia
 
Capítulo 5 – Resultados:
A Paisagem de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 6 – Estabelecendo prioridades e metas para ações de conservação
 
Referências Bibliográficas
 
Agradecimentos
 
Índice de Figuras de Tabelas