| CAPÍTULO
5
RESULTADOS:
A PAISAGEM DE CONSERVAÇÃO
DA BIODIVERSIDADE
Outras
áreas importantes na Paisagem
de Conservação da
Biodiversidade
O
quarto grupo é composto por
três unidades de paisagem
que têm alguma representatividade
em Áreas Prioritárias
(4,0 – 5,1% de suas áreas
originais) e boa representatividade
em Áreas de Uso Sustentável
(13,7 – 15,5% de suas áreas
originais).
A representatividade final na Paisagem
de Conservação da
Biodiversidade é de cerca
de 30% de suas áreas originais.
Finalmente, uma unidade de paisagem
(não estacional, baixa altitude,
mas declivosa) tem uma representatividade
razoavelmente boa em Áreas
Prioritárias (12,9%) e em
Áreas de Uso Sustentável
(12,2%), atingindo uma representatividade
de 32,5% na Paisagem de Conservação
da Biodiversidade final.
Em resumo: ainda que algumas unidades
de paisagem não estejam representadas
na Paisagem de Conservação
da Biodiversidade final, outras
estão razoavelmente bem representadas.
Como mencionado antes, tomar como
objetivo uma boa representatividade
de todas as unidades de paisagem
desta ecorregião é
praticamente impossível.
Portanto, um dos quatro objetivos
de conservação estabelecidos
no início (representatividade
de todas as comunidades ecológicas
típicas da ecorregião)
poderá não ser atingido
já que muitas das unidades
de paisagem identificadas na análise
feita não estarão
representadas na Paisagem de Conservação
da Biodiversidade final. Entretanto,
foi feito um esforço para
se chegar na melhor representatividade
possível de todas as unidades
de paisagem. O objetivo é,
portanto, preservar grandes blocos
de floresta que sejam suficientemente
resilientes e capazes de manter
populações viáveis
de espécies guarda-chuva
e os processos ecológicos
típicos que caracterizavam
originalmente a ecorregião.
A falta de plena representatividade
de todas as unidades de paisagem
na paisagem de conservação
pode impedir, até certo ponto,
que se alcance o objetivo de manter
populações viáveis
de todas as espécies nativas
características da Ecorregião
Florestas do Alto Paraná.
Futuros levantamentos de campo podem
identificar populações
de espécies que somente são
encontradas em unidades de paisagem
não representadas na Paisagem
de Conservação da
Biodiversidade. Caso essas espécies
sejam encontradas, será possível
analisar alternativas para que sobrevivam
por longo prazo, se isto for possível.
Neste caso, pode-se incluir a possibilidade
de leve modificação
no desenho desta Paisagem de Conservação
da Biodiversidade a fim de incluir
a representatividade dos pequenos
fragmentos florestais onde tais
espécies são encontradas.
Numa estimativa grosseira, a preservação
de uma população viável
de onças requer uma área
de, pelo menos, 525.000 ha. Uma
área ainda maior, de cerca
de 750.000 ha é necessária
para preservar a população
de harpias (ver Tabela
2, no Capítulo
3). A Paisagem de Conservação
da Biodiversidade final tem mais
que 1.200.000 ha em Áreas-núcleo
de proteção integral.
Entretanto, a estimativa de necessidade
de área mínima apresentada
acima refere-se a florestas contínuas.
Garantir a conectividade das Áreas-núcleo
com o estabelecimento dos Corredores
Principais é, portanto, crucial
para se atingir o objetivo de proteção
das espécies guarda-chuva.
Para se atingir a Visão da
Biodiversidade também é
vital a garantia de que, dentro
de 50 anos, 100% das Áreas-núcleo,
assim como uma parte das Áreas
Prioritárias de outras categorias,
estejam sob efetiva proteção
integral. Atualmente, menos de 50%
dos 1.200.000 ha de Áreas-núcleo
estão dentro de áreas
de proteção integral
e situação semelhante
ocorre nas outras categorias de
Áreas Prioritárias
para a Conservação
(Figura
37). Para se atingir a proteção
completa das Áreas Prioritárias
para a Conservação,
deve-se criar, implementar e manter
efetivamente no mínimo 1.284.100
ha de áreas de proteção
integral.
Da mesma forma, para a consolidação
desta Visão faz-se necessária
a criação e implementação
de mais de 4.000.000 ha de Áreas
de Uso Sustentável. Nessas
áreas não se faz necessária
a floresta contínua mas pelo
menos 30% de cobertura florestal
é desejável. Especialmente
cruciais para a implementação
desta Visão são os
Corredores Principais, que totalizam
mais de 1.200.000 ha, dos quais
apenas 30% estão sob Proteção
de Uso Sustentável (Figura
38).
Para se alcançar essa paisagem,
além de assegurar uma parte
relativamente grande da Paisagem
de Conservação da
Biodiversidade em áreas de
proteção integral
e em áreas de uso sustentável,
a floresta nativa precisará
ser recuperada em algumas áreas.
Foram estabelecidos como objetivos
a serem alcançados em 50
anos: 100% das Áreas-núcleo
e de todas as demais áreas
de proteção integral
com cobertura florestal nativa contínua;
pelo menos 70% da área total
com cobertura florestal; pelo menos
30% de cobertura florestal nos Corredores
e nas Áreas de Uso Sustentável
e pelo menos 20% de cobertura florestal
nas áreas de manejo de microbacias
(o mínimo determinado pelo
Código Florestal Brasileiro
em propriedades privadas na Mata
Atlântica). Isto significa
que pelo menos 10% das Áreas-núcleo
(mais que 100.000 ha) e pelo menos
50% dos Corredores Principais precisarão
de recuperação. No
total, uma área mínima
de pelo menos 2.606.678 ha de florestas
nativas precisam ser recuperadas
para a implementação
desta Visão
(Figura
39). Este é um objetivo
bastante ambicioso e custoso, mas
potencialmente alcançável.
Tabela
3. Representatividade em áreas
protegidas
e cobertura florestal remanescente
nas unidades de paisagem
Tabela 4. Fragmentos e cobertura
florestal (ha) por unidade
de paisagem e por categoria de tamanho
de fragmento
Tabela
5. Representatividade das unidades
de paisagem nas Áreas Prioritárias
Tabela
6. Representatividade das Unidades
de Paisagem
na Paisagem de Conservação
da Biodiversidade Final
Figura 32. Ilustração
do conceito das categorias das áreas
incluídas na Paisagem de
Conservação da Biodiversidade
Figura
33. Áreas-núcleo
Figura
34. Áreas Prioritárias
Figura
35. Áreas de Uso Sustentável
que conectam Áreas Prioritárias
para Conservação da
Biodiversidade
Figura
36. Paisagem de Conservação
da Biodiversidade
Figura
37. Áreas sob Proteção
Integral (no presente e no futuro)
na Paisagem de Conservação
da Biodiversidade
Figura
38. Áreas de Uso Sustentável
Figura
39. Cobertura Florestal nas unidades
de paisagem
de Conservação da
Biodiversidade
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