| CAPÍTULO
6
ESTABELECENDO
PRIORIDADES E METAS PARA AÇÕES
DE CONSERVAÇÃO
A
implementação desta
Paisagem de Conservação
da Biodiversidade requer uma série
de ações em diferentes
escalas temporais e espaciais. Está
claro que nenhuma organização
pode sozinha executar todas as ações
necessárias para se alcançar
os resultados de grande escala pretendidos.
Portanto, as ações
devem ser coordenadas entre organizações
governamentais e não-governamentais,
envolvendo vários setores
no Brasil, Paraguai e Argentina.
Alcançar esta Visão
requer também que os governantes
incorporem-na dentro de seus programas
e políticas de desenvolvimento
regional.
Este documento da Visão da
Biodiversidade deve servir como
um guia geral para priorizar as
ações. Neste capítulo,
foi identificada uma série
de metas e passos estratégicos
cruciais para a implementação
desta Visão. Entretanto,
estes objetivos, passos estratégicos
e cronograma precisarão estar
sob constante revisão e adaptação
ao longo do processo de implementação.
Os parceiros e atores sociais devem
discutir e definir claramente as
funções visando a
implementação desta
Visão e desenvolver processos
para a coordenação
e o monitoramento do progresso,
assim como para a readequação
das ações e dos objetivos.
O próximo passo é
desenvolver um Plano de Ação
para a Ecorregião, identificando
metas específicas e passos
estratégicos dentro de cronogramas
realistas, assim como indicadores
de sucesso. Novas estratégias
devem ser desenvolvidas para identificar
e envolver novos atores sociais
e para levantar os recursos financeiros
adicionais necessários para
a implementação das
ações identificadas
como prioritárias.
Entretanto, ações
de conservação na
Mata Atlântica não
podem esperar pelo projeto perfeito.
Assim, este capítulo expõe
os objetivos e passos estratégicos
gerais que, claramente, emergem
da Paisagem de Conservação
da Biodiversidade e da análise
de riscos e oportunidades, para
servir como ponto de partida para
as instituições priorizarem
ações imediatas específicas.
Foi identificada uma série
de metas para os próximos
três anos (a serem implantadas
até o fim de 2006), para
os próximos sete anos (para
o fim de 2010) e para os próximos
47 anos (para 2050). Estas metas
são essenciais para se alcançar
a Paisagem de Conservação
da Biodiversidade por completo (Figura
36). Os passos estratégicos
são pontos prioritários
para se alcançar as metas.
Alguns passos estratégicos
são específicos para
determinadas partes da Paisagem
de Conservação da
Biodiversidade, ou para um ou dois
países.
META 1:
Todas as áreas de
proteção integral
existentes (12)
(áreas protegidas, categorias
UICN I-III), efetivamente manejadas
até 2010 (50 áreas,
totalizando 812.171 ha).
Estas áreas protegidas, particulares
ou públicas, estão
localizadas nas Áreas-núcleo,
Áreas-núcleo em Potencial
e Áreas Satélites
(Figuras
9a e 9b,
Tabela
1). Das 50 áreas em questão,
21 áreas, totalizando 197.155
ha, estão no Paraguai, 6
áreas, totalizando 390.200
ha, estão no Brasil e 23
áreas, totalizando 224.816
ha, estão na Argentina. O
estado atual de implementação
destas áreas varia desde
aquelas relativamente bem manejadas
até áreas protegidas
demarcadas apenas no papel (“parques
de papel”), com problemas
fundiários e sem a presença
do governo. Como novas áreas
de proteção integral
deverão ser criadas (ver
Meta
2), esta meta aumentará
para um total de aproximadamente
1.284.100 ha sob administração
efetiva – 100% de Áreas-núcleo
(1.266.175 ha) somadas a uma parte
das Áreas Prioritárias
para Conservação da
Biodiversidade de outras categorias
(Áreas-núcleo
em potencial, Áreas Satélites
e Áreas Isoladas).
Passos estratégicos:
Para cada área protegida:
1.
Áreas demarcadas e questões
fundiárias resolvidas.
2. Planos de
manejo desenvolvidos e implementados
de forma a integrar as áreas
protegidas dentro da Paisagem
de Conservação e
a abordar riscos externos e internos.
3. Leis sendo
efetivamente aplicadas.
4. Zonas de amortecimento
das áreas protegidas sob
manejo adequado e efetivo.
5. Conselhos
de gestão e manejo das
áreas protegidas criados,
atuantes e contando com o apoio
das comunidades.
6. Um fundo financeiro
sustentável estabelecido
para apoiar, no longo termo, a
implementação efetiva
das áreas protegidas.
Para os sistemas de área
protegida:
1.
Uma avaliação preliminar
da implementação
das áreas protegidas concluída
até 2006.
2. Um sistema
de monitoramento do status de
implementação das
áreas protegidas em funcionamento
até 2006.
3. Instituições
e indivíduos capacitados
para contribuir na implementação
das áreas protegidas identificadas
(públicas e privadas) -
até 2010.
4. Ao menos um
mecanismo desenvolvido em cada
um dos três países
para gerar um fundo sustentado
a ser utilizado na gestão
das áreas protegidas públicas
e/ou privadas previstas nesta
Visão, até 2006.
• Mecanismos em potencial
incluem o fundo estatal Argentino
do Corredor Verde, o fundo privado
de apoio ao Corredor Verde (FONPAC),
também na Argentina, um
fundo nacional do meio ambiente,
no Paraguai, cobranças
pelo uso da água no Brasil,
outros pagamentos por serviços
ecológicos e taxas oriundas
de atividades turísticas.
(12)
Nestas análises não
estão incluídas as
áreas 33 e 34 da tabela 1,
Capítulo 2, conforme explicado
no rodapé desta mesma tabela.
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