Foto: Liviam Cordeiro Beduschi - WWF-Brasil Foto: José & Adriana Calo Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther
 
CAPÍTULO 1

CONSERVAÇÃO ECORREGIONAL E A VISÃO DE BIODIVERSIDADE

Tradicionalmente, os trabalhos de conservação em todo o mundo têm se restringido a áreas pequenas e enfocado atividades locais realizadas em períodos curtos (1 a 5 anos), tais como a criação de uma área protegida ou o manejo de uma zona de amortecimento. Entretanto, para se preservar a biodiversidade por um longo prazo precisamos direcionar nossos esforços visando escalas espaciais e temporais muito mais amplas. É nelas em que ocorre a maior parte dos processos ecológicos e evolutivos que mantêm a biodiversidade. Esta tarefa requer análises e planejamento utilizando como base a paisagem ou escalas espaciais ainda maiores. Neste contexto, as ecorregiões têm se revelado as melhores unidades de análise para o planejamento em grandes escalas espaciais (Quadro 1), ainda que muitas ações sejam implementadas localmente.

QUADRO 1
O que é uma ecorregião?

Ecorregião é uma unidade relativamente grande de terra ou água contendo um conjunto distinto de comunidades naturais que compartilham grande parte de suas espécies, dinâmicas e condições ambientais. Uma ecorregião terrestre caracteriza-se por um tipo de vegetação dominante que, embora não necessariamente cubra a região por inteiro, é amplamente distribuída e dá um caráter unificador. Uma vez que as espécies dominantes de plantas fornecem a maior parte da estrutura física dos ecossistemas terrestres, as comunidades animais também tendem à uma unidade ou expressão característica em toda a região.

As ecorregiões são unidades mais adequadas ao planejamento da conservação da biodiversidade porque:

 

1. Têm forte correlação com os principais processos evolutivos e ecológicos que criam e mantêm a biodiversidade;

2. Propiciam a manutenção de populações de espécies que necessitam de áreas maiores, um elemento da biodiversidade que não se acomoda em uma escala mais local;

3. Englobam um conjunto lógico de comunidades biogeograficamente relacionadas de forma a permitir análises de representatividade; e

4. Permitem-nos identificar os melhores locais para investirmos os esforços de conservação e compreendermos o papel que os projetos mais específicos podem desempenhar na conservação da biodiversidade ao longo do tempo.

As análises e o planejamento em escala ecorregional constituem a melhor base para o estabelecimento de prioridades de conservação. “Agir localmente, mas pensar globalmente” é um lema útil pois, embora tenhamos que invariavelmente agir localmente, se não pensarmos de maneira mais abrangente, numa escala global ou regional, perdemos o contexto (biológico, social e econômico) para ações locais específicas que produzirão os benefícios de uma conservação mais duradoura.

Retirado de DINERSTEIN et al. A Workbook for developing biological assessments and developing Biodiversity Visions for ecological conservation. Part I: Terrestrial ecosystems. WWF - Conservation Science Program, 2000.



 
Foto: José & Adriana Calo
Sumário Executivo
 
Capítulo 1 – Conservação Ecorregional e a Visão de Biodiversidade
 
Capítulo 2 – A Ecorregião Florestas do Alto Paraná
 
Capítulo 3 – Objetivos para Alcançar os Resultados de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 4 – Planejando uma Paisagem de Conservação da Biodiversidade – Metodologia
 
Capítulo 5 – Resultados:
A Paisagem de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 6 – Estabelecendo prioridades e metas para ações de conservação
 
Referências Bibliográficas
 
Agradecimentos
 
Índice de Figuras de Tabelas