| SUMÁRIO
EXECUTIVO
Da
Visão para a Ação
– implementando um Plano de
Ação Ecorregional
A
implementação desta
Paisagem de Conservação
da Biodiversidade requer uma série
de ações em diferentes
escalas temporais e espaciais. Está
claro que nenhuma organização
pode executar sozinha todas as ações
necessárias para se alcançar
os resultados de grande escala pretendidos.
Portanto, as ações
devem ser coordenadas entre organizações
governamentais e não-governamentais,
envolvendo vários setores
no Brasil, Paraguai e Argentina.
Alcançar esta Visão
requer também que os governantes
a incorporem dentro de seus programas
e políticas de desenvolvimento
regional.
A manutenção de florestas
preservadas nas Áreas-núcleo
exige que as áreas protegidas
já existentes, tanto públicas
quanto particulares, sejam de fato
implementadas e, quando for o caso,
recuperadas e que novas áreas
protegidas sejam estabelecidas.
A conectividade entre Áreas-núcleo
poderá ser mais facilmente
assegurada por meio do estabelecimento
de corredores biológicos
nas Áreas de Uso Sustentável
que prestam serviços valiosos
para a população humana.
Estabelecer o desenho destes corredores
e das Áreas de Uso Sustentável
requer um planejamento detalhado
do uso da terra. É essencial
ampliar a participação
dos atores sociais (8) de forma
a aumentar o seu apoio para a atualização
participativa e implementação
desta Visão. Novas alternativas
de produção ambientalmente
adequadas e economicamente viáveis,
assim como incentivos para a proteção
da floresta em propriedades privadas
(tanto grandes quanto pequenas),
precisam ser também desenvolvidas.
Incentivos nocivos, que contribuem
para incrementar a conversão
da floresta em outros tipos de uso
do solo, devem ser eliminados. Campanhas
educativas de grande dimensão
serão essenciais para aumentar
o conhecimento público acerca
do valor das florestas e, assim,
obter o apoio e envolvimento da
sociedade na conservação.
É também necessário
promover a aplicação
das leis ambientais existentes e
o desenvolvimento de novas e melhores
políticas públicas.
Também é essencial
a capacitação de gestores
ambientais públicos e privados,
de maneira a tornar mais eficiente
a gestão das áreas
de floresta (principalmente nas
áreas protegidas, o que inclui
Reservas Legais e Áreas de
Preservação Permanente).
Para implementar muitas destas ações,
será necessário fomentar
novas pesquisas básicas e
aplicadas em áreas tais como
planejamento do uso da terra, recuperação
das comunidades de floresta nativa,
sustentabilidade econômica
e biológica de alternativas
no uso da terra, estratégias
e metodologias de comunicação
e educação ambiental,
mecanismos econômicos para
sustentar a conservação,
entre outros.
Com esta Visão de Biodiversidade
como guia, o WWF e os parceiros
locais necessitam transformar as
ações de curto prazo
já em andamento em um Plano
de Ação Ecorregional
que estabeleça metas de curto-prazo
(1 – 5 anos) e médio
prazo (10 – 15 anos). Este
Plano deve identificar claramente
estratégias mitigadoras de
riscos e estar focado em metas objetivas
de conservação, assim
como na função das
instituições parceiras,
nas possibilidades de financiamento
de longo prazo, na efetividade das
estratégias de governança,
na formação e capacitação
e, finalmente, nas atividades de
comunicação e campanhas.
O estabelecimento dessas metas é
essencial para orientar as ações
e monitorar o progresso. Juntamente
com esta Visão inspiradora,
a existência de metas claras
e objetivas e de relatórios
transparentes que mostrem os progressos
e dificuldades contribuirá
para a conquista do compromisso
e apropriação por
parte dos parceiros, resultando
num engajamento contínuo
e ativo. Um Plano de Ação
Ecorregional deve ser, necessariamente,
flexível e dinâmico.
À medida que mais informações
são coletadas e mais ações
são monitoradas, o Plano
pode ser facilmente atualizado,
quando uma mudança de curso
ou estratégia for necessária.
Além de ajudar na organização
e planejamento dos programas de
conservação na ecorregião,
o Plano traz outros benefícios.
O Plano de Ação da
ecorregião pode ajudar abertamente
na articulação de
uma agenda de biodiversidade e pode
ajudar no reconhecimento da importância
desta agenda por parte dos líderes
dentre outras prioridades nacionais
e internacionais. Está claro
que o desenvolvimento institucional
apropriado dos parceiros é
necessário para fortalecer
a causa em diversos níveis.
Como o Brasil, Argentina e Paraguai
são (em vários níveis)
democracias recentes, esta capacitação
coincide significativamente com
o crescimento da participação
ativa e qualificada da população
no governo e como cidadãos.
A implementação pode
ocorrer em níveis abaixo
da escala ecorregional, ou fora
da ecorregião, dependendo
da questão envolvida. Uma
análise dos riscos é
um filtro essencial para a determinação
de qual a escala e em que ritmo
nós devemos atuar. Todas
as atividades de conservação
precisam ser pensadas e implementadas
de acordo com as realidades sociais
e políticas do local onde
se efetivam. Na Ecorregião
Mata Atlântica do Alto Paraná
essas realidades são diferentes
em cada um dos três países
e mesmo em regiões diversas
de um só país. A maioria
das ações será
implementada no nível nacional
ou regional dentro de cada país.
Entretanto, o planejamento estratégico,
o monitoramento dos riscos e dos
resultados da conservação
e os ajustes a partir destes resultados
precisam ser conduzidos na escala
ecorregional.
Tanto a Paisagem de Conservação
da Biodiversidade como a Visão
de Biodiversidade continuarão
sendo aperfeiçoadas ao longo
do tempo, à medida que estudos
adicionais forem realizados e novas
informações se tornarem
disponíveis.
(8) Ator social – pessoa,
grupo ou instituição
que afeta ou é afetada (positiva
ou negativamente) por uma questão
ou resultado particular. |