Foto: Liviam Cordeiro Beduschi - WWF-Brasil Foto: José & Adriana Calo Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther
 

SUMÁRIO EXECUTIVO

Nossa Visão no mapa

Um dos elementos cruciais de nossa Visão de Biodiversidade é uma Paisagem de Conservação da Biodiversidade que se estende por três países, com área suficiente para abrigar populações viáveis de vida selvagem e mitigar as ações humanas que representam riscos, de forma a garantir que os principais objetivos da conservação da biodiversidade sejam atingidos. A implementação desta Visão dependerá da participação de muitos setores e a coordenação de atividades além das fronteiras destes três países.

A Paisagem de Conservação da Biodiversidade final é composta de três tipos principais de áreas, descritas mais detalhadamente no Capítulo 5:

As Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade, sendo que a principal categoria é composta pelas Áreas-núcleo - blocos de floresta nativa bem preservada grandes o suficiente para resistir às ameaças que causam perda de biodiversidade. Estas são as áreas mais estratégicas e importantes biologicamente para a conservação, sejam públicas ou particulares. Cada Área-núcleo deve ser administrada com a finalidade de se manter uma área de floresta contínua suficientemente grande para que o ciclo de vida de espécies que requerem áreas extensas, como as onças-pintadas e queixadas, se complete. As Áreas-núcleo devem ser administradas sob proteção integral e as atividades humanas nela desenvolvidas devem ser reduzidas ao mínimo. As Áreas-núcleo devem ser conectadas a outras Áreas-núcleo por meio de uma rede de corredores biológicos para que os nossos objetivos de conservação da biodiversidade sejam atingidos.

As Áreas Estratégicas para a Conservação da Biodiversidade – são constituídas por uma série de áreas pequenas que visam aumentar a representatividade de outras unidades de paisagem. Embora essas áreas não sejam suficientemente resilientes quando isoladas, podem cumprir um papel estratégico na conservação da biodiversidade ao facilitar a implantação de corredores biológicos ou aumentar a representatividade de unidades de paisagem. De acordo com a localização e o papel a cumprir, nós classificamos as Áreas Estratégicas em duas categorias: Trampolins ecológicos e Áreas Isoladas.

As Áreas de Uso Sustentável - são grandes áreas que funcionam como amortecimento e conexão no entorno das Áreas-núcleo, de outras áreas que se encontram sob proteção integral e dos corredores biológicos. Elas mantêm os processos ecológicos, prestam serviços ambientais e, ao mesmo tempo, abrigam atividades econômicas ecologicamente viáveis. Identificamos quatro categorias de Áreas de Uso Sustentável: os Corredores Principais, os Corredores Secundários, as Expansões Laterais dos Corredores e os Corredores Potenciais.

Neste documento, o termo corredor biológico é utilizado para designar áreas relativamente estreitas de floresta nativa, seja natural ou recuperada, que conectam grandes manchas florestais tais como Áreas-núcleo ou Áreas de Uso Sustentável. Os corredores biológicos permitem a circulação de vida selvagem e suficiente fluxo gênico entre as áreas conectadas contribuindo, assim, para a manutenção de populações viáveis.

Também identificamos áreas que são importantes para o desenvolvimento dos programas de manejo e conservação das microbacias hidrográficas, assim como áreas onde necessitamos desenvolver um planejamento mais detalhado do uso da terra a fim de desenhar e implantar apropriadamente corredores biológicos estratégicos.

A Figura 36 representa o resultado da Paisagem de Conservação da Biodiversidade. Devido à falta de oportunidades para conservação da biodiversidade e/ou à falta de fragmentos florestais com valor de conservação suficiente, algumas unidades da paisagem não estão representadas na Paisagem de Conservação da Biodiversidade final. Ainda assim, esta Paisagem de Conservação da Biodiversidade pretende garantir a conservação de grandes blocos de floresta nativa resilientes, onde populações viáveis de espécies guarda-chuva e processos ecológicos, incluindo predação por predadores de topo de cadeia, poderão ser mantidos.

A fim de alcançar esta Paisagem de Conservação da Biodiversidade estimamos que, além da efetiva implementação de todas as áreas protegidas existentes, será necessário criar e implementar pelo menos cerca de 1,28 milhão de hectares de áreas protegidas de proteção integral, 4 milhões de hectares de áreas protegidas de uso sustentável, além de recuperar cerca de 2,6 milhões de hectares de florestas, somando áreas a serem recuperadas dentro de áreas protegidas e na formação de corredores.


 
Foto: WWF-Canon/Michel Gunther
Sumário Executivo
 
Capítulo 1 – Conservação Ecorregional e a Visão de Biodiversidade
 
Capítulo 2 – A Ecorregião Florestas do Alto Paraná
 
Capítulo 3 – Objetivos para Alcançar os Resultados de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 4 – Planejando uma Paisagem de Conservação da Biodiversidade – Metodologia
 
Capítulo 5 – Resultados:
A Paisagem de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 6 – Estabelecendo prioridades e metas para ações de conservação
 
Referências Bibliográficas
 
Agradecimentos
 
Índice de Figuras de Tabelas