Foto: Liviam Cordeiro Beduschi - WWF-Brasil Foto: José & Adriana Calo Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther
 
CAPÍTULO 1

CONSERVAÇÃO ECORREGIONAL E A VISÃO DE BIODIVERSIDADE

Quadro2 (...)

Esta é a razão pela qual o WWF direcionou sua atenção para ecorregiões críticas, priorizadas entre habitats terrestres, marinhos e de água doce do mundo todo a partir de um trabalho científico de priorização. Este trabalho gerou o documento chamado “Global 200” (WWF 2000, Figura 1). Para identificar os exemplos mais relevantes, essa priorização foi feita a partir de uma análise comparativa de dados de biodiversidade de todo o mundo, usando as ecorregiões como unidade de análise. O “Global 200” inclui exemplos de todos os tipos mais importantes de habitats de cada uma das principais unidades biogeográficas. O objetivo dessa estratégia é o de estabelecer prioridades nas ações de conservação em todo o planeta (Olson & Dinerstein, 1998; Olson et al. 2000, 2001). Portanto, o WWF e seus parceiros estão trocando os projetos pontuados localmente por planejamentos e ações em escala ecorregionais, uma abordagem chamada Conservação Ecorregional. Essa abordagem nos permite alcançar os objetivos de conservação que não eram atingidos em outras escalas de planejamento e ações (Quadro 2). Técnicas semelhantes estão sendo utilizadas pelas principais organizações ambientalistas de todo o mundo, incluindo The Nature Conservancy e Conservation International (Bright & Mattoon, 2001).


QUADRO 2
Alvos essenciais visando alcançar
os objetivos de Conservação Ecorregional

O termo biodiversidade descreve a expressão máxima de vida no planeta, de genes a espécies, a interações ecológicas ou a ecossistemas e biomas. A abordagem de Conservação Ecorregional é destinada a atender às necessidades de conservação de toda a biodiversidade conhecida. Assim, a elaboração da Visão de uma determinada ecorregião tem como base os objetivos fundamentais da conservação da biodiversidade. Para uma atuação rigorosa e efetiva em Conservação Ecorregional precisamos focalizar as atividades de conservação em cinco alvos específicos:

Comunidades, habitats e grupos de espécies distintos
(distintas unidades de biodiversidade)


Um dos primeiros alvos a ser considerado é a representatividade das diversas sub-regiões biogeográficas, dos habitats, comunidades e conjunto de espécies. A representatividade de agrupamentos específicos destes também pode ser adequada. A combinação específica das unidades a serem representadas na estratégia ecorregional vai variar de acordo com: a) os aspectos que diferenciam cada ecorregião e b) a disponibilidade e qualidade da informação sobre os padrões de biodiversidade. Devemos nos esforçar em representar e conservar os habitats, assim como toda a diversidade de espécies de cada ecorregião.

Grandes extensões de habitats e biotas intactos

Estudos empíricos demonstram que grandes áreas de um ambiente natural intacto são melhores para a conservação de toda a gama de espécies, habitats e processos naturais. Entretanto, ecossistemas e biotas intactos estão cada vez mais raros em todo o mundo. Em particular os predadores do topo da cadeia alimentar e os grandes vertebrados estão desaparecendo rapidamente em muitas ecorregiões, uma vez que as atividades humanas convertem e fragmentam os habitats naturais, além de exterminar populações de espécies mais vulneráveis devido à superexploração.

Ecossistemas, habitats, espécies ou fenômenos-chave

Em escala ecorregional, certos tipos de habitats podem exercer grande influência na biodiversidade circunvizinha e de todos os ecossistemas aí existentes. A persistência destes habitats e a manutenção do seu funcionamento ecológico podem ser cruciais para muitas espécies e processos ecológicos nas áreas vizinhas.

Processos ecológicos de grande escala

A conservação de processos ecológicos peculiares de grande escala, como migrações de animais pelos hemisférios, requer uma combinação de esforços locais, regionais e políticos específicos a serem aplicados em vastas áreas continentais ou em regiões distantes uma da outra. Mesmo habitats ou locais que não são particularmente distintos (quando, por exemplo, não são caracterizados por grande riqueza ou endemismo) ou intactos podem, ainda assim, atuar como habitats cruciais para espécies migratórias. A conservação destes processos deve estar diretamente relacionada com as atividades de âmbito ecorregional de forma coordenada entre as diversas ecorregiões.

Espécies particularmente importantes

Algumas espécies caçadas ao extremo, exauridas ou com necessidades altamente especializadas em seus habitats correm o risco de cair nas falhas da Conservação Ecorregional, um processo no qual se dá maior peso à representatividade do que a esforços conservacionistas voltados para uma única espécie. Entretanto, em muitas ecorregiões os esforços em restaurar populações de espécies sensíveis e seus habitats são medidas essenciais da Conservação Ecorregional por servirem como espécies centrais para o planejamento.

Retirado de: DINERSTEIN et al. 2000 A workbook for developing biological assessments and developing Biodiversity Visions for ecoregion conservation Part I: Terrestrial ecosystems. WWF – Conservation Science Program.


 
Foto: José & Adriana Calo
Sumário Executivo
 
Capítulo 1 – Conservação Ecorregional e a Visão de Biodiversidade
 
Capítulo 2 – A Ecorregião Florestas do Alto Paraná
 
Capítulo 3 – Objetivos para Alcançar os Resultados de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 4 – Planejando uma Paisagem de Conservação da Biodiversidade – Metodologia
 
Capítulo 5 – Resultados:
A Paisagem de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 6 – Estabelecendo prioridades e metas para ações de conservação
 
Referências Bibliográficas
 
Agradecimentos
 
Índice de Figuras de Tabelas