| CAPÍTULO
5
RESULTADOS:
A PAISAGEM DE CONSERVAÇÃO
DA BIODIVERSIDADE
A)
Áreas Estratégicas
para Conservação da
Biodiversidade
Uma vez que apenas uma das dezoito
unidades de paisagem atinge 10%
de representatividade dentro das
áreas prioritárias
(Tabela
5), foram identificadas uma
série de áreas pequenas
de forma a aumentar a representatividade
de outras unidades de paisagem.
Essas áreas são ainda
menores (< 5.000 ha), mas têm
alto potencial para conservação,
ou têm baixo potencial para
conservação mas ainda
mantêm um fragmento florestal
maior que 1.000 ha. Embora essas
áreas não sejam suficientemente
resilientes em isolamento, podem
cumprir um papel estratégico
na conservação da
biodiversidade ao facilitar a implantação
de corredores biológicos
ou aumentar a representatividade
de unidades de paisagem. De acordo
com a localização
e o papel a cumprir, as Áreas
Estratégicas foram classificadas
em duas categorias:
Trampolins
ecológicos: Quando
localizadas a menos de 50 km de
uma área prioritária,
essas áreas estratégicas
servem na Paisagem de Conservação
da Biodiversidade como “ilhas”
que podem tanto facilitar o fluxo
gênico de espécies
que transitam por uma matriz não
florestal quanto ajudar no planejamento
e implementação
de corredores biológicos.
Em alguns casos, ajudam a aumentar
a representatividade de algumas
unidades de paisagem.
Áreas Isoladas:
Áreas estratégicas
que estão localizadas a
mais de 50 km da área prioritária
mais próxima são
consideradas Áreas Isoladas.
Caso exista algum potencial para
ser conectada a uma Área
Prioritária (ex.: quando
próximas a um rio), foi
traçada uma possibilidade
de corredor biológico entre
a Área Isolada e a Área
Prioritária. Se as possibilidades
de incremento da conectividade
forem limitadas, essas áreas
permanecerão isoladas,
o que reduz seu potencial de conservação
da biodiversidade. Entretanto,
elas ainda cumprem um papel local
importante na conservação
(ex.: educação ambiental
ou conservação de
espécies restritas a estas
unidades de paisagem).
Áreas
que pertencem às categorias
Trampolins Ecológicos e Áreas
Isoladas foram consideradas como
de grande importância quando
pertencem a unidades de paisagem
sub-representadas e de baixa importância
quando pertencem a unidades de paisagem
bem representadas.
B)
Áreas de Uso Sustentável
Áreas de Uso Sustentável
são grandes áreas
que funcionam como amortecimento
e conexão no entorno de Áreas-núcleo
e corredores biológicos.
Aliam serviços ambientais
a atividades econômicas “ecologicamente
viáveis”, como ecoturismo,
agrossilvicultura e produção
sustentável de erva-mate,
palmito, madeira e produtos florestais
não-madeireiros. Em 50 anos,
essas áreas deverão
ser gerenciadas a partir de planejamentos
da paisagem ou de um zoneamento
com base em princípios de
sustentabilidade social, ambiental
e econômica. Esse planejamento
da paisagem deve contemplar a proteção
das regiões estratégicas
das microbacias (nascentes, margem
dos cursos d’água,
etc.) e de áreas biologicamente
importantes por meio da manutenção
ou restauração da
floresta nativa, de uma estrutura
de corredores biológicos,
assim como de atividades econômicas
adequadas. Dentro dessas Áreas
de Uso Sustentável, outras
análises mais detalhadas
que completem o planejamento do
uso da terra podem identificar corredores
biológicos e áreas
para proteção adicionais.
No esquema de Áreas de Uso
Sustentável, foram incluídas
áreas com índice médio
de potencial para conservação
(de 8 a 16, não sendo suficientemente
alto para ser Área Prioritária
ou Trampolim Ecológico).
Também foram incluídos,
tanto quanto possível, Trampolins
Ecológicos de unidades de
paisagem sub-representadas.
Foram
identificadas quatro categorias
de Áreas de Uso Sustentável:
Os Corredores Principais
conectam as Áreas-núcleo
(Figura
35). Os Corredores Principais
devem garantir o fluxo gênico
das espécies guarda-chuva
e, portanto, a viabilidade de suas
populações. Juntamente
com as Áreas-núcleo,
constituem a peça central
da Paisagem de Conservação
da Biodiversidade. Em 50 anos, os
Corredores Principais deverão
ser gerenciados de acordo com planejamentos
detalhados de paisagem que mantenham
um mínimo de 30% de cobertura
florestal. Novas áreas protegidas
deverão ser identificadas
e criadas (Áreas-núcleo
ou Áreas Satélite)
e corredores biológicos deverão
ser estabelecidos, recuperados e/ou
protegidos.
Os Corredores Secundários
ligam outras áreas
prioritárias com os Corredores
Principais ou com Áreas-núcleo
(Figura
35). A expansão dos Corredores
Principais pelo Corredores Secundários
aumenta a resiliência e a
representatividade da Paisagem de
Conservação da Biodiversidade.
As Expansões Laterais
dos Corredores ligam os
Trampolins Ecológicos que
estão fora do caminho para
as Áreas Prioritárias
(Figura
35), aumentando a diversidade
de paisagens representadas no Corredor.
Corredores Potenciais:
Devido ao alto grau de fragmentação
florestal, muitos dos corredores
seguem rios, já que essas
áreas têm potencial
de conservação mais
alto. Entretanto, esses corredores
podem ser inviáveis ou insuficientes
para manter o fluxo gênico
entre as Áreas-núcleo.
Por essa razão, foram identificados
corredores alternativos, ainda que
tenham potencial de conservação
mais baixo. Da mesma forma, foram
identificados corredores potenciais
com ecorregiões vizinhas
(Figura
35). O desenho final desses
Corredores Potenciais dependerá
de uma análise conduzida
em diferentes escalas e coordenado
com os levantamentos de biodiversidade
de outras ecorregiões.
É importante distinguir os
Corredores identificados na Paisagem
de Conservação da
Biodiversidade (Corredores Principais,
Corredores Secundários, etc.)
que são realmente Áreas
de Uso Sustentável, dos corredores
biológicos que devem ser
implementados nos primeiros. Os
corredores biológicos são
áreas relativamente estreitas
de floresta nativa, natural ou recuperada,
que interligam Áreas Prioritárias
para Conservação da
Biodiversidade permitindo o movimento
da vida silvestre e fluxo gênico
suficiente para manter populações
viáveis. O desenho final
dos corredores biológicos
requer uma análise em escala
mais precisa e melhor conhecimento
das necessidades biológicas
das espécies guarda-chuva
ou outras espécies-chave.
Os Corredores Principais, Corredores
Secundários e as outras categorias
de Corredores são áreas
onde os corredores biológicos
serão implementados, após
um estudo detalhado da paisagem.
Uma das metas (Capítulo
6) é implementar um programa
multidisciplinar, o “Programa
Corredor”, destinado ao estudo,
sob diferentes perspectivas, da
melhor forma de se implementar corredores
biológicos e Áreas
de Uso Sustentável em seu
entorno, de forma a promover a conectividade
entre as Áreas Prioritárias
para Conservação da
Biodiversidade.
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