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CAPÍTULO 4

PLANEJANDO UMA PAISAGEM DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE – METODOLOGIA

As três variáveis de oportunidade foram pesadas de acordo com seus potenciais para conservação, onde as áreas de proteção integral têm peso 3 e os rios têm peso 2 com relação ao potencial para conservação das zonas de conservação planejada. Estes três tipos de informação foram combinados para produzir um mapa de oportunidades para conservação da biodiversidade (Figura 28).
Os dois mapas, o de riscos e o de oportunidades, foram combinados em um único mapa (Figura 29), que mostra as áreas com os mais altos riscos em azul e áreas com as melhores oportunidades para a conservação da biodiversidade em verde.

Utilizando as três análises descritas acima foram conduzidas então duas análises adicionais:

Análise de representatividade – Os mapas das unidades de paisagem, de fragmentos florestais e das áreas protegidas foram combinados para que se fizesse a análise da situação atual de cobertura florestal e da representatividade das diferentes unidades de paisagem dentro do sistema de áreas protegidas. A representatividade foi analisada em termos de: 1) Porcentagem de uma unidade de paisagem que está dentro de uma área de proteção integral; 2) Porcentagem de uma unidade de paisagem que está em áreas protegidas de uso sustentável; e 3) Porcentagem de cobertura florestal ainda remanescente em cada unidade de paisagem. Esta análise da representatividade dá uma idéia de quão bem representada está cada unidade de paisagem na paisagem atual e pode orientar as decisões de como aprimorar a representatividade daquelas unidades de paisagem sub-representadas na Paisagem de Conservação da Biodiversidade final.

Análise do Potencial de Conservação da Biodiversidade – O primeiro passo nesta análise foi cruzar o mapa de índice de importância do fragmento com o mapa de riscos e oportunidades, a fim de se construir um mapa de potencial de conservação da biodiversidade (Figura 30). A hipótese desta análise é que os melhores fragmentos de floresta, localizados em áreas menos ameaçadas e com maiores oportunidades para conservação da biodiversidade, constituem as áreas com o maior potencial para conservação da biodiversidade. Esta análise combinada indica onde estas áreas estão localizadas na ecorregião. O mapa do potencial de conservação que resultou desta análise representa uma análise de custo-benefício em escala ampliada. O mapa resultante mostra as áreas onde devem ser enfocados os esforços de conservação, já que eles têm bom potencial para a conservação da biodiversidade (áreas verdes no mapa), e as áreas onde não se deve investir tais esforços, devido ao elevado custo para se atingir os objetivos de conservação (áreas azuis no mapa). Este mapa constitui a mais importante sobreposição de informação utilizada para se desenhar a Paisagem de Conservação da Biodiversidade.

Desenho da Paisagem de Conservação da Biodiversidade – A Paisagem de Conservação da Biodiversidade foi desenhada seguindo-se uma série de passos lógicos utilizando-se o mapa do potencial de conservação da biodiversidade. O processo foi iniciado com a identificação dos blocos de montagem da paisagem de conservação e a ligação entre eles, em uma série de passos, de acordo com suas contribuições para a conservação da biodiversidade. Os seguintes passos, ordenados de acordo com a sua prioridade na conservação de biodiversidade, foram considerados na elaboração do desenho da Paisagem de Conservação da Biodiversidade:

 


Identificação dos grandes blocos de floresta nativa, que irão constituir as Áreas-núcleo (> 10.000 ha de cobertura florestal, excluindo uma zona tampão de 500 m, onde o efeito de borda é alto). Estes são os fragmentos florestais suficientemente grandes para sustentar o ciclo de vida completo das espécies guarda-chuva.

Identificação de Outras Áreas Prioritárias para a conservação da biodiversidade, que incluiriam aquelas com elevado potencial para conservação (como indicado pelo mapa do potencial de conservação da biodiversidade), embora possam não ter cobertura florestal ou tamanho suficientes para sustentar populações viáveis de espécies nativas por longo prazo. Entretanto, elas podem assumir uma importante função na conservação da biodiversidade (e. g., podem constituir trampolins ecológicos).

Conexão entre as Áreas-núcleo e Outras Áreas Prioritárias, por meio da criação de Corredores e da implantação de Áreas de Uso Sustentável. A localização específica destes Corredores e das Áreas de Uso Sustentável foi definida com base no mapa do potencial de conservação da biodiversidade (e.g., as áreas com maior potencial de conservação da biodiversidade).

Aumento da área de florestas protegidas, através da proteção de pequenos fragmentos ou da recuperação de fragmentos florestais que poderiam ser conectados aos Corredores Principais (9), aumentando assim a resiliência da paisagem de conservação. A localização dos Corredores Secundários (10) e das Áreas de Uso Sustentável que conectam estas áreas às Áreas-núcleo e aos Corredores Principais também foi definida pelo mapa do potencial de conservação da biodiversidade.

Melhoria da representatividade das unidades de paisagem sub-representadas, através da inclusão de fragmentos florestais pertencentes às áreas menos representadas. Estas também foram conectadas (quando possível) por meio de Corredores Secundários aos Corredores Principais e às Áreas-núcleo.

Identificação das bacias hidrográficas prioritárias para a conservação e manejo de microbacias. Estas bacias hidrográficas foram selecionadas com base no grau de preservação da bacia, na presença de áreas protegidas (tanto de proteção integral como de uso sustentável), na presença de iniciativas de conservação em andamento e no potencial da bacia de promover a conexão com outras ecorregiões (ver próximo passo).

Incentivo à conexão da Paisagem de Conservação da Biodiversidade com ecorregiões vizinhas, a fim de se garantir processos evolutivos de longo prazo.

• Finalmente, foi verificada a viabilidade sócio-política de certas áreas da Paisagem de Conservação da Biodiversidade e, com base nas opiniões de especialistas, foram feitos pequenos ajustes na paisagem final.


Em resumo, para alcançar nossos objetivos de conservação, a Paisagem de Conservação da Biodiversidade foi construída visando promover a conexão entre Áreas-núcleo por meio de Corredores e o estabelecimento de zonas tampão ao redor destas Áreas-núcleo, das Áreas Prioritárias e Corredores. Como um dos últimos passos importantes no desenho da Paisagem de Conservação da Biodiversidade, foram sobrepostos o mapa com a paisagem preliminar e o mapa das unidades de paisagem a fim de avaliar o grau de representatividade de cada unidade de paisagem e buscar formas de obtenção da melhor representatividade possível. Para definir o mapa final, também foram considerados pareceres de especialistas e análises de viabilidade sócio-política de áreas individuais, quando disponível. Estas informações, no entanto, não foram incluídas como um outro plano de informação na análise de riscos e oportunidades, pois ou estas não estavam disponíveis para todos os três países, ou eram informações concernentes a um local específico, e queríamos utilizar o mesmo critério para toda a ecorregião. Entretanto, estas informações foram utilizadas como o último passo para o ajuste da realidade sócio-política da ecorregião na Paisagem de Conservação da Biodiversidade final. Quando os pareceres de especialistas ou considerações sócio-políticas foram utilizados na tomada de decisão acerca da inclusão ou não de algumas áreas na Paisagem de Conservação da Biodiversidade final isto está indicado no texto (próximo Capítulo). Uma representação visual da metodologia de análise utilizada para desenhar a Paisagem de Conservação da Biodiversidade está sintetizada na Figura 31.



9 Os diferentes tipos de Corredores sugeridos nesta Visão serão apresentados e descritos no Capítulo 5.
10 Veja nota de rodapé 9.


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Foto: Lou Ann Dietz/WWF
Sumário Executivo
 
Capítulo 1 – Conservação Ecorregional e a Visão de Biodiversidade
 
Capítulo 2 – A Ecorregião Florestas do Alto Paraná
 
Capítulo 3 – Objetivos para Alcançar os Resultados de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 4 – Planejando uma Paisagem de Conservação da Biodiversidade – Metodologia
 
Capítulo 5 – Resultados:
A Paisagem de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 6 – Estabelecendo prioridades e metas para ações de conservação
 
Referências Bibliográficas
 
Agradecimentos
 
Índice de Figuras de Tabelas