CAPÍTULO
4
PLANEJANDO
UMA PAISAGEM DE CONSERVAÇÃO
DA BIODIVERSIDADE – METODOLOGIA
Analisamos a contribuição
de cada uma das cinco variáveis
para a variabilidade total da importância
do fragmento, com uma Análise
de Componentes Principais. Esta
análise multivariada indicou
que as primeiras quatro variáveis
tiveram maior contribuição
na variação da importância
dos fragmentos florestais para a
conservação. Como
a última variável
(localização de um
fragmento dentro da bacia hidrográfica)
não contribuiu com nova informação,
ela foi descartada.
Desenvolvemos um “Índice
de Importância do Fragmento”
utilizando as primeiras quatro variáveis.
Cada uma foi colocada em uma das
quatro categorias criadas utilizando
a função ‘intervalos
naturais’ do ArcView. Foi
estabelecido o valor de 0 para a
categoria menos importante, e o
valor 3 para a mais importante.
O Índice de Importância
do Fragmento foi obtido a partir
da média dos valores das
quatro variáveis utilizadas
na análise. Assim, classificamos
cada fragmento florestal de acordo
com o Índice de Importância
do Fragmento (Figura
19).
Análise de Riscos
e Oportunidades. O objetivo
desta análise foi mapear
as áreas que apresentam riscos
críticos e oportunidades
para a conservação
da biodiversidade. Este mapa foi
criado utilizando dados de uso da
terra, onde as diferentes formas
de uso da terra representam riscos
ou oportunidades para a conservação.
Começamos esta análise
identificando, qualificando e mapeando
os diferentes níveis de risco
e oportunidade para variáveis
diferentes (tipos de uso da terra).
Por exemplo, uma estrada é
freqüentemente um risco para
a conservação da biodiversidade
enquanto uma área protegida
é uma oportunidade para conservação.
Foram pesadas as diferentes variáveis
utilizadas nesta análise
de acordo com o nível de
risco ou oportunidade que elas representam
para a conservação
da biodiversidade, originando duas
análises separadas, uma para
riscos e uma para oportunidades.
As
variáveis de risco
utilizadas nesta análise
incluíram:
1) Cidades – Cidades
são representadas por áreas
circulares no mapa. A área
do círculo é proporcional
à área atualmente
ocupada pela cidade. Na análise,
foram identificadas três
zonas tampão ao redor de
cada cidade, com o risco para
a conservação decrescendo
à medida que a distância
das cidades aumenta, sendo que
as próprias cidades representam
o risco mais elevado. As zonas
tampão ao redor das cidades
são diretamente proporcionais
ao tamanho da cidade, com as cidades
maiores tendo uma área
maior de influência negativa
na conservação da
biodiversidade (Figura
20).
2) Agricultura –
Esta variável representa
o impacto da agricultura e foi
medida como a porcentagem da área
de um município ou departamento
destinado à agricultura,
incluindo tanto culturas anuais
como perenes (Figura
21). Foi admitido que culturas
perenes e anuais podem ter diferentes
impactos na conservação
da biodiversidade, mas como a
área ocupada por culturas
perenes é bastante pequena
em comparação às
culturas anuais, foi determinado
que isto não justificaria
uma análise separada dos
dados.
3) Pecuária –
Esta variável representa
o impacto da pecuária na
conservação da biodiversidade.
Ela foi medida como a porcentagem
da área de um município
ou departamento voltada para esta
atividade (Figura
22).
4) Densidade Populacional
Rural – Devido
à tradição
cultural generalizada da caça
e a exploração de
produtos não-madeireiros,
além do fato de que a maioria
das pessoas vê a floresta
como um obstáculo ao desenvolvimento
(ver Capítulo
2), a presença de população
rural na ecorregião freqüentemente
tem um grande impacto negativo
sobre a conservação
dos remanescentes florestais nativos.
Desta forma, esta variável
representa o impacto da densidade
da população rural
na conservação da
biodiversidade e é medida
pelo número de pessoas
por hectare em cada município
ou departamento (Figura
23).
Nota:
1. Devido à intensa fragmentação
e à alta densidade de estradas,
quase todos os fragmentos florestais
da ecorregião têm acesso
fácil por estradas. Estradas,
portanto, não foram consideradas
como uma outra variável de
risco pois o impacto causado por
elas incide de forma generalizada
em toda a ecorregião.
Nota: 2. Com finalidade ilustrativa,
os mapas são apresentados
com suas escalas originais (e. g.,
densidade populacional rural real).
Entretanto, para as análises,
todas as variáveis foram
divididas em quatro categorias,
seguindo intervalos naturais em
suas distribuições
de freqüência (uma função
do ArcView faz isto automaticamente).
Estas quatro categorias determinaram
valores de 1, 2, 4 e 8, tendo cada
categoria o dobro do valor da anterior.
As
variáveis de risco foram
avaliadas diferentemente, de acordo
com o grau de risco de cada uma
para a conservação
da biodiversidade. Como cidades
apresentam risco mais elevado, assim,
foi atribuído a esta variável
três vezes o peso atribuído
à variável considerada
de menor risco. A agricultura representa
o segundo maior risco para a biodiversidade,
pois é a atividade econômica
com maior impacto negativo sobre
a biodiversidade por ser, principalmente,
baseada nos moldes de plantações
em monocultura de larga escala que,
freqüentemente, utilizam altas
doses de herbicidas e pesticidas.
Ela também possui, geralmente,
um custo de oportunidade mais elevado
em relação à
pecuária, uma atividade normalmente
restrita às áreas
menos produtivas. Para a agricultura,
portanto, foi atribuído duas
vezes o peso atribuído às
variáveis de menor risco.
Finalmente, às variáveis
de risco pecuária e densidade
populacional rural foi atribuído
o menor peso, já que ambas
têm menor impacto na conservação
da biodiversidade que agricultura
ou a presença de uma cidade.
Com estas quatro variáveis
de risco, foi criado um mapa que
apresenta áreas com um gradiente
de riscos para a conservação
da biodiversidade (Figura
24).
Como
variáveis de oportunidade,
foram utilizadas:
1) Proximidade de uma
área de proteção
integral (categorias UICN I-III)
– áreas
protegidas representam uma oportunidade
para conservação
porque freqüentemente existe
o interesse em aumentar suas áreas
por meio da incorporação
de áreas vizinhas com alto
potencial para conservação.
Além disto, a implementação
de zonas de amortecimento ao redor
das áreas protegidas, em
geral um componente importante
nos planos de manejo, facilita
o desenvolvimento de programas
locais de conservação.
Áreas próximas a
áreas de proteção
integral têm um potencial
mais elevado de se tornarem áreas
protegidas, um corredor biológico
ou uma Área de Uso Sustentável
(Figura
25). Para cada área
protegida foram atribuídas
três possíveis áreas
de influência (zonas de
amortecimento) em um raio de 1.000,
5.000 e 20.000 metros, representando
decréscimo de oportunidade
para conservação
à medida que a distância
das áreas de proteção
integral aumenta.
2) Proximidade de um rio
– foi considerado
que os rios constituem, nesta
ecorregião, corredores
biológicos potenciais que
podem ajudar na conexão
dos fragmentos florestais. Devido
à existência, nos
três países, de legislação
que protege as matas ciliares,
as áreas mais próximas
aos rios têm maior potencial
para o incremento da conectividade
(Figura
26). Por outro lado, já
que a maioria dos rios nesta ecorregião
não são navegáveis,
eles não representam caminhos
de acesso às florestas,
como ocorre em outras ecorregiões.
Foram atribuídas três
categorias de zona tampão
(1.000, 2.500 e 5.000m) a partir
de ambas as margens dos rios (para
efeito de análise, todos
os rios têm uma largura
de 500 m como unidade mínima,
independente de seu tamanho),
representando o gradiente do potencial
para o incremento da conectividade
com outras áreas de conservação.
3) Zonas de conservação
planejada – áreas
protegidas de uso sustentável
(categorias UICN IV-VI) e áreas
priorizadas para conservação
pelo PROBIO constituem áreas
identificadas pelo governo ou
por outras instituições
como áreas que possuem
elevado potencial de conservação
(Figura
27). O consenso político
em torno destas áreas elevou
o potencial para conservação
destes locais. O PROBIO definiu
cinco categorias de áreas:
categoria A, que corresponde às
áreas com extrema importância
biológica; categoria B,
para áreas de muito alta
importância biológica;
categoria C, para áreas
de alta importância biológica;
categoria D, para áreas
insuficientemente conhecidas,
mas de provável importância
biológica; e categoria
L, para corredores. Foi atribuído
o valor 8 para as áreas
protegidas de uso sustentável
já existentes, o valor
4 para a categoria A das áreas
do PROBIO, o valor 2 para a categoria
B das áreas do PROBIO e
o valor 1 para as categorias C,
D e L do PROBIO.
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