Foto: Liviam Cordeiro Beduschi - WWF-Brasil Foto: José & Adriana Calo Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther Foto: WWF-Canon/Michel Gunther
 

CAPÍTULO 2

A ECORREGIÃO FLORESTAS DO ALTO PARANÁ

Oportunidades de conservação da biodiversidade
na Ecorregião Florestas do Alto Paraná

Apesar do alto grau de fragmentação florestal na ecorregião, existem boas oportunidades para a conservação da biodiversidade. Entre elas está a implementação de um sistema relativamente bem sucedido de áreas protegidas (particularmente na Argentina e no Brasil), o aumento do interesse nas questões de conservação pelos governos e pela população local, com muitos novos grupos ambientais locais, e a Iniciativa Trinacional (veja sobre a Iniciativa Trinacional a seguir).

Sistema de áreas protegidas: Existem 52 áreas de proteção integral (categorias IUCN I – III) na ecorregião, que preservam 826.714 ha de florestas nativas. Existem 2.321.637 ha em 15 Áreas de Uso Sustentável (categorias IUCN IV – VI), incluindo uma grande Reserva da Biosfera (Figuras 9a, 9b; Tabela 1). Estas áreas protegidas pertencem às esferas federais, estaduais, municipais e particulares do sistema de áreas protegidas nos três países. Muitas destas áreas são pequenas (< 1.000 ha) e muitas ainda não estão bem implementadas, apresentando problemas fundiários e desprovidas de planos de manejo desenvolvidos ou implementados.

Entretanto, o número de áreas protegidas vem aumentando rapidamente nos últimos anos (Figura 10) e, nos três países, existe muito interesse das organizações governamentais e não-governamentais na criação destas unidades. Um grande bloco de 11 áreas protegidas, incluindo o Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil, o Parque Nacional Iguazú, na Argentina, o Parque Provincial Urugua-í e outras oito reservas menores, tanto particulares como públicas, totalizam uma área protegida contínua de aproximadamente 340.800 ha, que funciona como um grande e resiliente reservatório de biodiversidade da ecorregião.

Legislação conservacionista: Apesar dos problemas com a fiscalização nos três países, existem leis que protegem as florestas, principalmente as matas ciliares e áreas com grande declividade. O Código Florestal Brasileiro, por exemplo, protege os topos de morro e obriga a averbação e manutenção de uma reserva florestal legal de pelo menos 20% da área da propriedade. Se bem protegidas, essas áreas poderiam funcionar como corredores estratégicos, ligando os remanescentes florestais. A legislação brasileira também proíbe a conversão dos últimos remanescentes florestais de Mata Atlântica. O decreto 750 de 1993 proíbe o corte de formações primárias ou secundárias da Mata Atlântica. Ao mesmo tempo, um movimento liderado por ONGs está mobilizando apoio nacional para transformar esse decreto numa lei permanente (PL 285/99), mas enfrenta forte oposição de setores ligados à agricultura de larga escala e exploração madeireira. A Lei do Corredor Verde da província de Misiones, na Argentina, criou uma área de conservação de uso múltiplo de mais de um milhão de hectares com o objetivo principal de manter as conexões entre as principais áreas protegidas de Misiones. Essa lei eliminou os incentivos maléficos que levavam à conversão florestal e criou incentivos para a proteção e recuperação das florestas nativas. Além disso, os três países têm legislação para proteger as bacias hidrográficas. As novas leis brasileiras que regulamentam o uso das águas prevêem a gestão integrada das bacias hidrográficas, tendo como um dos instrumentos para sua implementação a cobrança pelo uso da água, que poderá financiar a conservação das bacias. Essas leis criam boas oportunidades para a conservação dos últimos remanescentes florestais.

Iniciativa Trinacional: Em 1995, um Fórum Trinacional de organizações governamentais e não-governamentais de vários setores dos três países reuniu-se em Hernandarias, no Paraguai, num encontro chamado “La Conservación de la Selva Paranáense o Bosque Atlántico Interior”. As instituições que participaram desse encontro concordaram sobre a necessidade de criação de um Corredor Transfronteiriço para conectar as principais áreas protegidas na região, estendendo-se desde a Reserva Natural de Mbaracayú, no Paraguai, até o Parque Estadual do Turvo, no Brasil, passando pelo Corredor Verde de Misiones. Nos encontros dessa Iniciativa Trinacional que se sucederam (Curitiba, Brasil, em 1997; Eldorado, Misiones, em 1999), foram feitos outros acordos e compromissos entre os participantes. Este fórum é uma importante oportunidade não somente para troca de experiências e idéias entre os participantes mas também para promover a criação de novas áreas protegidas e a implementação das já existentes, assim como alcançar o consenso sobre outras ações prioritárias.

Figura 2. Localização da Mata Atlântica na América do Sul

Figura 3. As 15 Ecorregiões do Complexo de Ecorregiões
da Mata Atlântica


Figura 4. Remanescentes Florestais da Mata Atlântica


Figura 5. A Ecorregião Florestas do Alto Paraná

Figura 6. A Ecorregião Florestas do Alto Paraná Sobrepõe
grande parte da Bacia Hidrográfica do Alto Paraná


Figura 7. Evolução do desmatamento na Ecorregião
Florestas do Alto Paraná


Figura 8. Padrões de posse da terra em diversas
partes da ecorregião


Figura 9a. Áreas Protegidas da Ecorregião Florestas do Alto Paraná

Figura 9b. Áreas Protegidas da Ecorregião Florestas do Alto Paraná (Área Transfronteiriça Ampliada)

Tabela 1. Áreas Protegidas da Ecorregião Florestas do Alto Paraná

Figura 10. Aumento do número deÁreas Protegidas na Ecorregião entre 1930 e 2000


 
Foto: WWF-Canon/Michel Gunther
Sumário Executivo
 
Capítulo 1 – Conservação Ecorregional e a Visão de Biodiversidade
 
Capítulo 2 – A Ecorregião Florestas do Alto Paraná
 
Capítulo 3 – Objetivos para Alcançar os Resultados de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 4 – Planejando uma Paisagem de Conservação da Biodiversidade – Metodologia
 
Capítulo 5 – Resultados:
A Paisagem de Conservação da Biodiversidade
 
Capítulo 6 – Estabelecendo prioridades e metas para ações de conservação
 
Referências Bibliográficas
 
Agradecimentos
 
Índice de Figuras de Tabelas