Atualmente mais da metade da população mundial já vive em cidades e o processo de urbanização continua crescente.

Por conseqüência, nas cidades se concentram a grande massa de consumidores de alimentos, de energia, de espaço para moradia, inúmeros bens e serviços, os quais, em grande parte, são dependentes de matérias primas e serviços ambientais provenientes dos ecossistemas florestais.

Concentram-se nas cidades igualmente as forças econômicas e políticas que tem poder de decisão sobre a supressão, o uso, a conservação das florestas e outros ecossistemas.

Nas últimas décadas, ao mesmo tempo em que crescia a pressão sobre as florestas tropicais em todo o mundo, crescia também a consciência e a reação dos cidadãos contra a destruição dos mesmos. Essa luta, todavia teve por foco as florestas de áreas essencialmente rurais, tendo merecido pouca atenção às florestas urbanas e periurbanas.

A partir de 2002, a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica iniciou formalmente o “Programa Florestas Urbanas” com objetivo de “promover o conhecimento, a conservação, a repercussão e o uso sustentável das florestas em áreas urbanas e periurbanas da Mata Atlântica, com vistas a assegurar a rica biodiversidade presente nessas áreas, bem como os serviços ambientais necessários para a qualidade de vida nas cidades e outros assentamentos humanos”.

Várias foram às iniciativas desse programa, com destaque para:

1. Instalação do Núcleo de Estudos Periurbanos em parceria com a Universidade Federal de Recife e SECTMA de Pernambuco, voltado à Mata Atlântica do entorno de Recife;

2. Apoio aos programas da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo no âmbito da Avaliação Ecossistêmica do Milênio/ONU que teve em São Paulo um das 25 áreas piloto mundial da AEM;

3. Participação da RBMA no grupo de trabalho: Programa Homem e Biosfera da UNESCO para áreas urbanas (MaB-urbano);

4. Participação nas discussões sobre “As Cidades e Áreas Protegidas” da comissão Mundial de Parques? IUCN, no Congresso Mundial de Parques de Durban, África do Sul (2003);

5. Organização da Exposição “Mata Atlântica – Florestas Urbanas” no Parque de Bagatelle/Paris, no âmbito do Ano do Brasil na França, em parceria com a UNESCO, a Prefeitura de Paris, a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo e o Ministério do Meio Ambiente, entre outros;

6. Organização do “Colóquio Franco-Brasileiro sobre Florestas Urbanas”, em Paris, em outubro de 2005, no âmbito da mesma parceria;

7. Apoio ao projeto “Biosfera urbana de Florianópolis” como projeto piloto da RBMA de implantação em área urbana do conceito de Reserva da Biosfera do Programa MAB/UNESCO;

8. Organização da oficina “Biodiversidade, Florestas Urbanas e Periurbanas” como evento paralelo à COP-8 da convenção da Biodiversidade Biológica, em 25 de março de 2006 (Curitiba/PR), com parceria da UNESCO, MMA e Secretarias do Meio Ambiente dos Estados do Paraná e São Paulo;

9. Nesta oficina, além da apresentação e estudos de caso (São Paulo, Recife, Petrópolis, Florianópolis, e Curitiba) e discussões sobre legislação e políticas públicas brasileiras (PL da Mata Atlântica, Resolução CONAMA sobre Áreas de Preservação Permanente) será lançado o livro “Jóia da Mata Atlântica”, com fotografias de Clayton Ferreira Lino (presidente do CN-RBMA) realizadas em sua memória em florestas urbanas do Bioma Mata Atlântica;

10. Por outro lado, o Conselho Nacional da RBMA, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, está propondo a inclusão do tema “Biodiversidade nas Florestas Urbanas e Periurbanas” na pauta de discussões da Convenção da Diversidade Biológica enfatizando a importância da conservação dessas florestas e abrindo espaço para programas nacionais e internacionais voltados a essa questão.

Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
Curitiba, março de 2006.
cnrbma@uol.com.br - www.rbma.org.br

Veja os Painéis da Exposição de Bagatelle em Português* e Francês clicando abaixo


* Os Painéis em Português ainda são bonecos.