
Embora tenha aderido ao Programa
MaB e criado seu Comitê Nacional – COBRAMAB desde
1974, foi apenas em 1991 que o Brasil aprovou junto à
UNESCO , sua primeira Reserva da Biosfera, a da Mata Atlântica.
Essa demora, no entanto teve seu lado positivo: as décadas
de 1970 e 1980 foram extremamente ricas no debate sobre a
conservação ambiental no Brasil e no Mundo e
novos conceitos e estratégias de conservação
surgiram ou se firmaram a exemplo dos Corredores Ecológicos,
das áreas envoltórias de Parques, do manejo
de bacias hidrográficas, dos cinturões verdes
no entorno das cidades, das Àreas Protegidas Privadas,
das Reservas Comunitárias, do manejo participativo
e da cogestão de Áreas Protegidas. Todos esses
aspectos foram incorporados na proposta de criação
da RBMA.
Em paralelo a esses avanços
conceituais, nessa época dezenas de parques e áreas
protegidas foram criadas no país, muitos deles na Mata
Atlântica; aumentou significativamente a consciência
ambiental da Sociedade Brasileira; criaram-se centenas de
ONGs ambientalistas; e reformulou-se e aprimorou-se toda a
legislação ambiental a partir da nova Constituição
Federal de 1988. Foram anos de grande dinâmica social
e política ligada à redemocratização
do país e intensa mobilização em defesa
do meio ambiente. A área ambiental teve como temas
principais, além da poluição atmosférica
nas metrópoles, a luta pela Amazônia e pela Mata
Atlântica, esta última até então
pouco valorizada pela Sociedade Nacional, embora mais de 120
milhões de habitantes vivam neste rico e ameaçado
bioma.
Em São Paulo, onde pesquisadores
e a imprensa já denunciavam a situação
crítica das florestas, um catastrófico deslizamento
de vários trechos das encostas da Serra do Mar ocorrido
em 1985 devido a destruição da cobertura florestal
pela poluição do polo industrial de Cubatão,
impulsionou a luta em defesa da Mata Atlântica. Foram
criadas várias Unidades de Conservação
Estaduais, decretado o tombamento da Serra do Mar, captados
recursos de cooperação internacional e criado
um consórcio com estados vizinhos para a proteção
da Serra do Mar e suas florestas em toda sua extensão.
Foi
no âmbito desse movimento e como um dos objetivos do
Consórcio Mata Atlântica que surgiu a proposta
de se lutar pelo reconhecimento de áreas da Mata Atlântica
como Reserva da Biosfera pela UNESCO. A RBMA tornou-se então
produto e, ao mesmo tempo ator privilegiado dessa grande mobilização
em defesa de nossa floresta em situação mais
crítica.
A RBMA em sua primeira fase
incluía apenas algumas áreas isoladas nos Estados
de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. A adesão
de órgãos ambientais, cientistas e comunidades
de outros estados, fez com que a idéia evoluísse
e outras 4 fases de ampliação foram apresentadas
à UNESCO, tornando a RBMA uma Reserva da Biosfera na
escala do Bioma, envolvendo inicialmente 3, depois 5, logo
após 8, em seguida 14 e hoje 15 estados brasileiros.
Englobando centenas de zonas
núcleo, extensas zonas de amortecimento envolvendo
ou conectando essas zonas núcleo e incorporando também
as figuras de Corredores Ecológicos, Mosaicos de Unidades
de Conservação e Cinturões Verdes no
entorno de áreas urbanas, o desenho da RBMA é
muito mais complexo que a figura conceitual original das reservas
da biosfera, inicialmente indicada pela UNESCO.
Dadas suas grandes dimensões
e complexidade territorial,já estabelecidos nas suas
fases iniciais, um dos primeiros desafios RBMA foi a montagem
de um sistema de gestão próprio que assegurasse
sua consolidação institucional, a descentralização
de suas ações e o desenvolvimento em campo de
projetos nas áreas de conservação da
biodiversidade, da difusão do conhecimento e da promoção
do desenvolvimento sustentável.
Criou-se então, em 1993,
seu Conselho Nacional e uma Secretaria Executiva com equipe
própria, sediada em São Paulo e mantida com
o apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Ao longo
dos anos foram sendo criados Comitês e Subcomitês
Estaduais da RBMA e mais recentemente, os Colegiados Regionais
integrando suas ações. Foram definidas Áreas
Piloto, prioritárias para implementação
de seus projetos em campo e Postos Avançados, instituições
que funcionam como centros de difusão dos princípios
e projetos da RBMA. Formou-se assim, a mais abrangente Rede
de Instituições voltadas à conservação
de um bioma existente no Brasil.
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