
"Todo o Brasil é um jardim
em frescura e bosque e não se vê em todo
o ano árvores nem erva sêca. Os arvoredos
se vão às nuvens de admirável
altura e grossura e variedade de espécies..."
Padre José de Anchieta
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Em nossas casas, escritórios
e nos diversos ambientes em que vivemos ou freqüentamos,
estamos cercados de produtos provenientes das florestas. São
móveis de madeiras nobres, carpetes de fibras vegetais,
a vassoura de piaçava, os sucos de pitanga, caju, maracujá;
remédios extraídos de plantas medicinais; palmito,
mandioca, chá-mate, pinhão, jabuticabas e tantas
outras delícias; cestos de taquara e cipós;
bromélias, samambaias em vasos de xaxim, orquídeas,
avencas e muitas outras plantas ornamentais. Tudo isso é
Mata Atlântica, uma das mais ricas, belas e ameaçadas
florestas do planeta.
A
exploração de tais produtos, além de
fornecer alimentos, conforto, saúde, prazer, significam
a geração de empregos e renda para brasileiros
e de divisas de exportação para o país.
No entanto, se prosseguir a exploração predatória,
também pode significar o fim da nossa Mata, já
reduzida a apenas 7% de sua área original.
Tudo depende da nossa capacidade
de saber manejar esses recursos respeitando a capacidade da
natureza repor seus estoques e manter suas funções
ecológicas.
A busca de um desenvolvimento
sustentado ecologicamente, equilibrado economicamente viável
e socialmente justo passa entre outros aspectos pela criação
de parques, pela preservação de áreas
e ecossistemas frágeis, pela recuperação
de áreas degradadas e necessariamente também
pelo bom manejo dos recursos naturais.
Assim, é preciso viabilizar
uma produção sustentável e, ao mesmo
tempo, um consumo sustentável. A legislação,
a pesquisa, a educação e outros campos nos fornecem
importantes instrumentos nesta direção. Mais
recentemente, também o mercado econômico vem
oferecendo novos mecanismos úteis para a desejada sustentabilidade.
Entre estes, destacam-se os processos de certificação
a exemplo dos selos verdes, cujo papel é informar e
assegurar ao consumidor consciente que certos produtos são
produzidos pela forma responsável e sustentável.
Veja abaixo alguns dos Recursos Florestais
da Mata Atlântica e clique nas publicações
da RBMA para saber mais.
| O
pau-brasil
A tintura extraída do pau-brasil (Caesalpinia
echinata) era usada para tingir sedas, linhos e algodões,
dando aos tecidos uma cor de brasa, entre o vermelho
e o púrpura: a cor dos reis e dos nobres e tão
difícil de obter naquela época. Os índios
levavam cerca de três horas para derrubá-las,
utilizando seus machados de pedra. Com a chegada dos
portugueses e dos machados de ferro, o tempo de corte
diminuiu para apenas quinze minutos. De tanto ser explorada,
a árvore quase entrou em extinção.
Hoje em dia, sua madeira é muito apreciada para
fabricação de arcos de violino e outros
instrumentos musicais.
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Piaçava – Attalea
funifera
Área de ocorrência: região litorânea
da Bahia.
O nome é de origem tupi e significa “planta
fibrosa com a qual se faz utensílios caseiros”.
Citada na carta de Pero Vaz de Caminha, foi usada durante
toda a era colonial pelos navegadores na confecção
de cordas para amarrar navios.
É utilizada ainda na fabricação
de vassouras, como isolante térmico e para a
cobertura de casas e choupanas. |
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Palmito juçara - Euterpe
edulis
Área de ocorrência: do sul da Bahia ao
norte do Rio Grande do Sul.
Originariamente utilizado pelos indígenas, o
palmito é hoje consumido em larga escala devido
ao seu agradável sabor.
É uma planta muito importante ecologicamente,
pois seu fruto serve de alimento para vários
animais. |
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Bromélias - várias
espécies
Área de ocorrência: todo o Brasil especialmente
na Mata Atlântica.
Antes de Colombo fazer sua segunda viagem para o Novo
Mundo, em 1493, as bromélias eram desconhecidas
para os europeus. Nesta viagem, a única bromélia
que despertou a atenção de Colombo foi
o abacaxi, descrito como “maior do que um melão
e com sabor muito adocicado e cheiroso”.
São adequadas ao paisagismo devido à sua
coloração, folhagem, porte, plasticidade
de uso e por serem resistentes e necessitarem de pouco
solo. O seu néctar é foco de atração
para os beija-flores, seus principais polinizadores. |
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Xaxim – Dicksonia sellowiana
Área de ocorrência: regiões Sul
e Sudeste.
Após ser retirado da mata, o xaxim vai parar
nas fábricas, onde é serrado e moldado
em hastes, vasos e placas.
O pó que sobra é vendido para o cultivo
de orquídeas, samambaias e outras plantas, pois
tem alta capacidade de retenção de água
e boa drenagem. |
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As Plantas Medicinais
Espinheira-santa - Maytenus ilicifolia
Área de ocorrência: região Sul e
pequenas manchas em São Paulo e Mato Grosso do
Sul.
O chá de suas folhas é comprovado
cientificamente contra gastrites e úlceras gástricas
ou duodenais. No Paraguai ela é reputada como
anticoncepcional. O fruto da espinheira-santa atrai
muitos pássaros para as regiões onde é
nativa. |
Carqueja
– Baccharis trimera Área de ocorrência:
todo o Brasil. É um importante medicamento
para os problemas do fígado. Na medicina popular
é usada para combater gripes, febres, problemas
intestinais e impotência. Alguns produtores de cerveja
utilizam-na como substituto do lúpulo. |
Chapéu-de-couro
– E. grandiflorus e E. macrophillus Área
de ocorrência: toda a área de Mata Atlântica
– Piauí ao Rio Grande do Sul. É
usada na medicina popular como anti-reumática e
diurética, contra inflamação de garganta
e de pele, artrite, reumatismo, sífilis, laxante,
diurético, depurador do sangue e eliminador de
ácido úrico. Também é utilizada
na composição de alguns refrigerantes. |
Ginseng
brasileiro - Pfaffia paniculata Área de ocorrência:
áreas tropicais e subtropicais, desde a região
amazônica até o sul do país. É
reputada como tônica, antitumoral, antidiabética,
complemento alimentar e afrodisíaco. Possui boa
aceitação no mercado interno como substituto
do ginseng verdadeiro. |
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Caju – Anacardium occidentale
Área de ocorrência: Mata Atlântica
(Ceará até Bahia e Rio de Janeiro) e também
Amazônia e Cerrado.
O que chamamos de fruta do caju é, na verdade,
o pedúnculo. Este apresenta alto valor nutritivo,
possuindo até seis vezes mais vitamina C que
a laranja, além de
sais minerais, cálcio, ferro e fósforo.
Pode ser utilizado para bebidas, doces, condimentos,
farinha e ração, entre outros usos. No
entanto, a principal parte explorada do caju é
a amêndoa encontrada na sua castanha, que atinge
bons preços tanto no mercado interno como no
externo. Já o pedúnculo ("a fruta")
é muito desperdiçado. 94% da produção
é jogada fora. |
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Araucária – Araucaria
angustifolia
Área de ocorrência: região Sul e
pequenas manchas em São Paulo e Minas Gerais.
A araucária, único pinheiro nativo da
Mata Atlântica, apresenta sua copa em formato
de taça. Sua altura pode chegar aos 50 metros,
e alguns exemplares alcançam até 300 anos
de idade. Sua madeira pode ser utilizada para confecção
de móveis, vigamentos, cabos de vassoura, palitos
de dente e de fósforo, além de produzir
papel de ótima qualidade.
Sua semente é o pinhão, que possui alto
valor nutritivo e serve de alimento tanto para o homem
como para vários animais da floresta. |
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Erva-mate – Ilex paraguariensis
Área de ocorrência: região Sul e
partes em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso
do Sul.
Para os índios, a erva-mate dava resistência
às jornadas de trabalho, reduzindo a fadiga,
fome e sede. Eles usavam a erva em todos os lugares
e a toda hora, sem distinções de sexo
ou idade.
Seu efeito é mais prolongado que o do café,
não deixando porém efeitos colaterais
ou residuais, como irritabilidade e insônia. A
erva também é de grande utilidade para
moléstias da bexiga, facilita a digestão
e ainda favorece a evacuação e a mictação. |
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Caixeta - Tabebuia cassinoides
Área de ocorrência: Pernambuco ao norte
de Santa Catarina. Preferencialmente nas áreas
alagadiças da faixa litorânea.
A caixeta cresce em regiões úmidas do
litoral, perto de mangues e brejos - fornece uma madeira
leve e macia, ideal para embalagens e artesanato.
Na região do Vale do Ribeira, em São Paulo,
ela vinha sendo explorada de maneira muito intensa e
com grande desperdício de material, desde sua
retirada da mata até chegar ao produto final.
Para contornar o problema, entidades ambientalistas
e as Secretarias do Meio Ambiente e da Agricultura,
elaboraram um Plano de Manejo, com o apoio da comunidade
local e de instituições de pesquisa. Atualmente,
o projeto já conta com uma serraria própria
para uso da comunidade no município de Iguape.
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