

A maior parte da flora da Ecorregião
Serra do Mar não é endêmica. Várias
espécies têm distribuição ampla
pelas formações florestais neotropicais e,
dentre aquelas características do domínio
atlântico, cerca de 30% são compartilhadas
com a floresta ombrófila densa de terras baixas do
litoral da Bahia (Hiléia Baiana). Outras tantas ocorrem
nas matas ciliares da floresta estacional semidecidual ou
nos vales da floresta ombrófila mista. Boa parte
dos endemismos é de ocorrência restrita, tais
como muitas espécies de orquídeas, bromélias,
bambus, aráceas e pteridófitas de restingas,
campos rupestres ou florestas de altitude de braços
serranos distintos do maciço principal. Outras espécies
endêmicas estão associadas à zona sub-tropical
e se restringem à porção sul da ecorregião.
Como acontece ao longo de todo o Domínio
da Mata Atlântica, os ecossistemas abrangidos pela
ecorregião estudada são predominantemente
florestais. Além da floresta ombrófila densa,
ocorrem na ecorregião formações vegetais
transicionais - são as formações costeiras
de mangue e restinga, e os campos de altitude.
A floresta ombrófila densa é
caracterizada por árvores de folhas largas, sempre-verdes,
de duração relativamente longa e mecanismos
adaptados para resistir tanto a períodos de calor
extremo quanto para evitar umedecimento. É comum
a presença de um tipo de sulco nas pontas das folhas
para facilitar a drenagem da água. Muitas árvores
possuem raízes de suporte, adaptadas para a fixação
sobre troncos e árvores caídas. Além
das árvores, chama a atenção a enorme
quantidade de lianas e epífitas existentes nessas
florestas.
As diversas formações da floresta
ombrófila densa do sul e sudeste do Brasil estão
distribuídas num gradiente altitudinal intimamente
relacionado às feições de relevo (figura
abaixo). Obviamente, a composição florística
de cada faixa do gradiente é bastante variável,
tanto em termos locais, derivados de características
edáficas e pedológicas particulares, quanto
na própria escala ecorregional, decorrente da existência
de um gradiente latitudinal a ser discutido mais adiante.
Apesar da variação, pode-se considerar quatro
faixas do gradiente de altitude que se mantêm como
formações florísticas e fitofisionômicas
coesas ao longo da ecorregião: são as formações
de terras baixas, submontana, montana e altomontana.
MANGUEZAIS
Os manguezais são ambientes ecotonais
típicos das regiões estuarinas. Estão
sujeitos a inundações periódicas por
água do mar e água doce, sofrendo flutuações
abruptas e pronunciadas de salinidade. Os manguezais não
são ricos em espécies vegetais mas se destacam
pela abundância das populações das espécies
que neles crescem. Somente três árvores constituem
as florestas de mangue do sul e sudeste brasileiro: o mangue-vermelho
ou bravo (Rhizophora mangle), o mangue-branco (Laguncularia
racemosa) e o mangue-preto ou seriuba (Avicennia shaueriana).
Todas apresentam adaptações estruturais e
fisiológicas para assegurar sua sobrevivência
nesse ambiente de solo não consolidado, pouco oxigenado
e constantemente encharcado. A flora do manguezal pode ainda
ser acrescida de poucas espécies que vivem nas áreas
periféricas, sujeitas a uma menor freqüência
de inundações – samambaia do mangue
(Acrostichum danafeolium), capim-navalha (Rynchospora sp),
gramínea Spartina, e o algodão-da-praia (Hibiscus
pernambucensis) –, ou de modo epífito –
líquens, musgos, bromélias (principalmente
os gêneros Tillandsia, Aechmea e Vriesia) e orquídeas
(gêneros Maxillaria, Epidendrum e Brassalova).
Os mangues são ecossistemas altamente
produtivos que fornecem alimento, proteção,
condições de reprodução e crescimento
para muitas espécies de valor comercial, garantindo
a manutenção e renovação de
estoques pesqueiros. Exercem ainda outros serviços
ambientais de grande valia, tais como a proteção
das áreas de terra firme contra tempestades e ações
erosivas das marés, a retenção de poluentes
e a manutenção dos canais de navegação
por meio da retenção de sedimentos finos carreados
pelas águas. Na Ecorregião Serra do Mar, no
entanto, os manguezais não são muito pronunciados
e as maiores extensões são encontradas nos
estuários de Paranaguá, Cananéia/Iguape
e Cubatão/Bertioga.
RESTINGA
As formações
de restinga são fitofisionomias transicionais que ocorrem
em gradiente. Muitas plantas da restinga são seletivas
xerófitas, com capacidade de suportar altas temperaturas
e salinidade, grande dessecação e pouca disposição
de nutrientes. Pode-se considerar como “vegetação
de restinga” o conjunto de comunidades vegetais fisionomicamente
distintas, sob influência marinha e flúvio-marinha,
distribuídas em mosaico sucessional entre a praia e
o continente. São consideradas comunidades edáficas
porque dependem mais da natureza do solo que do clima. Além
das condições de solo, situações
de drenagem influenciam a composição do mosaico
da restinga. Na Ecorregião Serra do Mar podem ser distinguidas
as seguintes formações na restinga:
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Vegetação
de praias e dunas - localizada próxima ao mar,
sobre areia seca, onde se encontram ervas pioneiras
reptantes escandentes e alguns arbustos. |
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Jundu ou Escrube
- seguindo em direção ao continente, nas
partes mais altas das ondulações dos cordões
arenosos, encontram-se arbustos com ramos retorcidos,
bromélias terrícolas e cactáceas.
Em áreas mais úmidas, entre cordões
arenosos, o solo é sempre encharcado e a vegetação
é herbáceo-arbustiva, composta por espécies
paludais. |
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Floresta baixa de
restinga - localiza-se mais para o interior, após
os cordões arenosos. A vegetação
é mais alta, com arbustos e arvoretas, presença
de bromélias, trepadeiras e orquídeas. |
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Brejo de restinga
- permanentemente inundado, com vegetação
herbácea. |
As florestas altas de restinga
e florestas paludosas são formações transicionais
que podem ser incluídas na categoria das florestas
ombrófilas densas de terras baixas, descritas à
frente.
FLORESTAS OMBRÓFILAS
DENSAS DE TERRAS BAIXAS
As florestas
ombrófilas densas de terras baixas ocorrem associadas
à planície costeira e aos depósitos de
talos na base das encostas, em altitudes inferiores a 50 metros.
Ocupam os terrenos quarternários formados por sedimentos
arenosos sobre solos podzólicos de drenagem moderada
resultantes da erosão das serras costeiras. Trata-se
de uma floresta bem desenvolvida com elementos dominantes
formando um dossel denso e homogêneo em torno de 20
a 25 metros de altura. Nos talos próximos às
encostas, onde o solo é profundo e rico em matéria
orgânica proveniente de deslizamentos, a floresta é
ainda mais desenvolvida, com ocorrência de árvores
enormes de até 40 metros de altura e 3 m de DAP.
As espécies
arbóreas comuns nessa formação florestal
são geralmente seletivas higrófilas, sendo características
do dossel o tapiriri (Tapirira guianensis), guacá-de-leite
(Pouteria cenosa), maçaranduba (Manilkara subsericea),
bicuíba (Virola oleifera), canela-nhutinga (Cryptocarya
aschersoniana), baguaçu (Talauma ovata), leiteiro (Brosimum
lactescens), goiabão (Eugenia leitonii), guamirim-ferro
(Myrcia glabra), juerana-branca (Balizia pedicellaris) e o
embiruçu (Eryotheca pentaphylla), entre muitas outras.
No estrato
arbóreo inferior são comuns o miguel-pintado
(Matayba guianensis), pindaíba (Xylopia brasiliensis),
guaricica (Vochysia bifalcata), ingás (Inga spp), jacarandá-lombriga
(Andira anthelmintica), tapiá-guaçu (Alchornea
triplinervis), guamirim-vermelho (Gomidesia spectabilis) e
embaúbas (Cecropia pachystachya), nas clareiras sucessionais.
Muitas destas espécies podem também participar
do primeiro estrato. Também o palmito-juçara
(Euterpe edulis) pode ser muito abundante.
No sub-bosque e estrato herbáceo
observa-se grande número de bromélias terrestres
(gêneros Nidularium, Aechmea, Vriesia e Bromelia), erva-d'anta
(Psychotria spp), caetês (Calathea spp, Heliconia spp)
e palmeiras (gêneros Bactris, Astrocarium e Geonoma).
Entre as lianas destacam-se as ciclantáceas do gênero
Asplundia, muito características. Entre as epífitas
sobressaem aráceas dos gêneros Philodendron,
Scindapsus, Monstera e Anthurium, bromeliáceas dos
gêneros Tyllandsia, Aechmea e Vriesia, cactáceas
do gênero Rhipsalis, e inúmeras orquídeas,
além de grande número de espécies de
fetos, musgos e líquens.
Na planície costeira
grandes áreas estão sujeitas a inundações
periódicas ou possuem uma rede de drenagem difusa,
que impede o desenvolvimento de espécies arbóreas
representativas de ambientes mais secos. Nesses trechos semi-alagados
desenvolve-se uma floresta menos diversa, muitas vezes chamada
de caxetal devido à predominância da Tabebuia
cassinoides, conhecida como caxeta. Além dessa espécie,
são frequentes o ipê-da-várzea (Tabebuia
umbellata), olandi (Calophyllum brasiliense) e a figueira-de-folha-miúda
(Ficus organensis).
Por estarem localizadas em
áreas planas litorâneas, essas formações
florestais foram fragmentadas, convertidas e ocupadas desde
o início da colonização. Ainda hoje,
os poucos remanescentes sofrem intensa pressão antrópica
pela expansão das cidades costeiras, caça e
exploração excessiva de recursos florestais
(caxeta, palmito e plantas ornamentais etc).
FLORESTAS OMBRÓFILAS
DENSAS SUBMONTANAS
As florestas ombrófilas
densas submontanas se estendem pelas encostas das serras entre
as altitudes de 50 a 500 metros, podendo ocorrer em vales
e grotões protegidos nas cotas superiores. Trata-se
da formação florestal característica
das representações da Mata Atlântica.
Seu estágio climáxico é composto por
árvores de alturas aproximadamente uniformes, raramente
ultrapassando 30 metros. Nos vales menos declivosos, onde
existe um espesso manto de detritos vegetais, no entanto,
as maiores árvores podem atingir mais de 40 metros
de altura. Devido à declividade do terreno no qual
se desenvolve, essa floresta apresenta estratificação
vertical pouco aparente. Ainda devido à declividade
e instabilidade das encostas, que produzem deslizamentos constantes,
mostra-se como um mosaico de diferentes estágios sucessionais,
com grande número de clareiras em regeneração.
O dossel é mais diverso
que aquele da formação, composto por espécies
variadas, em sua maioria seletivas higrófilas. Entre
as mais comuns cita-se o pau-sangue (Pterocarpus violaceus),
guatambu (Aspidosperma olivaceum), laranjeira-do-mato (Sloanea
guianensis), figueiras (Ficus sp.), tapiá-guaçu
(Alchornea triplinervis), jequitibá (Cariniana strelensis),
canelas (Ocotea spp, Nectandra spp), araribá (Centrolobium
robustum), bicuíba (Virola oleifera), cedros (Cedrella
spp), canjerana (Cabralea canjerana), maçaranduba (Manilkara
subericea), jatobá (Hymenaea courbaril), caovi (Pseudopiptadenia
warmingii), baguaçu (Talauma ovata). Nos trechos sucessionais
são comuns as embaúbas (Cecropia spp), guapuruvu
(Schyzollobium parahyba), manacá-da-serra (Tibouchina
mutabilis) e pau-de-tucano (Vouchysia tucanorum).
No estrato intermediário,
além de exemplares jovens de espécies que ocupam
o dossel, são comuns espécies tipicamente tropicais
como o seca-ligeiro (Pera glabrata), o ingás (Inga
spp), bagas-de-morcego (Guarea sp.), guamirins (Gomidesia,
Marlierea, Calyptranthes e Myrceugenia spp.), almécega-vermelha
(Pausandra morisiana), canela-pimenta (Ocotea teleiandra),
bacupari (Garcinia gardneriana). Destacam-se ainda os fetos
arborescentes ou samambaiaçus (gêneros Aslophila,
Nephelia e Cyathea), e as palmeiras. O palmito-juçara
(Euterpe edulis) é a palmeira mais freqüente no
sub-bosque e subdossel. Mas, devido à exploração
predatória, encontra-se praticamente erradicado de
muitas áreas. Além deste, existem diversas outras
espécies de palmeiras características dessa
floresta, como o jerivá (Syagrus romanzoffianum) e
o indaiá (Attalea dubia), capazes de atingir os estratos
superiores, ou a guaricana (Genoma elegans), brejaúva
(Astrocaryum aculeatissimum) e tucuns (Bactris spp), no interior
da floresta.
No sub-bosque úmido
e mal ventilado ocorrem arbustos - baga-de-morcego (Guarea
macrophylla), ervas-d'anta (Psychotria spp), véu-de-noiva
(Rudgea jasminoides), pimenteira (Mollinedia triflora) e Piper
spp - e ervas - marantáceas, caetê-banana (Heliconia
spp), erva-cidreira (Hedyosmum brasiliense) – ombrófilos.
Como na formação anterior, existe enorme abundância
de epífitas, em especial bromeliáceas e aráceas,
e grande número de lianas lenhosas (bignoniáceas,
sapindáceas e leguminosas).
FLORESTAS OMBRÓFILAS
DENSAS MONTANAS
As florestas ombrófilas
densas montanas podem ser encontradas na faixa de altitudes
entre 500 e 1.000 metros. A estrutura florestal do dossel
aberto, de 15 a 20 metros, é representada por ecótipos
relativamente finos com casca grossa e rugosa, folhas miúdas
e de consistência coriácea. Nas serras costeiras,
de natureza granítica ou gnáissica, essa fitofisionomia
é mantida até próximo ao cume dos relevos
dissecados em função dos solos delgados ou litólicos,
altamente lixiviados e de baixa fertilidade decorrente da
drenagem intensa. As árvores em geral não formam
um dossel florestal contínuo Isso graças à
distribuição escalonada da vegetação
sobre as vertentes muito íngremes. Nestas condições,
há uma maior disponibilidade de luz no interior da
mata, que juntamente com a maior umidade providenciada pelas
chuvas orográficas favorece a elevada riqueza de epífitas.
Observa-se o aparecimento de
espécies seletivas xerófilas juntamente com
aquelas seletivas higrófilas. As árvores mais
altas da floresta montana são em geral leguminosas,
como o caovi (Newtonia glaziovii) e o pau-óleo (Copaifera
trapezifolia), de copas amplas e dominantes, com alturas de
30 metros ou mais. Outras espécies que ocorrem no estrato
superior são o guatambu (Aspidosperma olivaceum), ipê-amarelo
(Tabebuia cf. alba), licurana (Hieronima alchorneoides), canjerana
(Cabralia canjerana), cedros (Cedrela spp), tapiás
(Alchornea spp), guapeva (Pouteria torta), baguaçu
(Talauma ovata), capixinguis (Croton spp), manacás
(gêneros Miconia, Leandra e Tibouchina), carvalho (Roupala
sp.), baga-de-pomba (Byrsonima ligustrifolia), carobas (Jacaranda
spp), carne-de-vaca (Clethra scabra) e o guaraparim (Vantanea
compacta). No sul do Brasil, a conífera Podocarpus
selowii é típica dessa formação,
ocorrendo por vezes com gêneros da família Lauraceae
(Ocotea e Nectandra), em associações semelhantes
à floresta ombrófila mista.
O interior dessas florestas
é semelhante àquele das florestas submontanas,
porém com típica diminuição da
densidade do palmito-juçara (Euterpe edulis) acima
dos 800 metros de altitude, restringindo-se aos vales de drenagem
protegidos. No estrato arbóreo intermediário
ocorrem com freqüência o macuqueiro (Bathysa spp),
gramimunhas (Weinmania spp), ingás-macaco (Inga edulis),
ingá-feijão (Inga marginata), baga-de-macaco
(Posoqueria latifolia), almesca (Protium kleinii), guaraperê
(Lamanonia speciosa) e guamirins (mirtáceas). O estrato
herbáceo-arbustivo é caracterizado por melastomatáceas,
rubiáceas, bromeliáceas terrestres e pteridófitas.
Bambus também são frequentes acima dos 800 metros
e, entre as palmeiras, a guaricana (Geonoma schottiana) é
bastante comum, assim como espécies de Lithocarium.
As epífitas são muito abundantes e é
evidente o predomínio de pteridófitas e briófitas,
que formam verdadeiros tapetes sobre os troncos e os ramos
das árvores, além de cipó-imbés
(Philodendron sp.), bromeliáceas e micro-orquídeas,
que se destacam pelo exotismo.
FLORESTAS OMBRÓFILAS
DENSAS ALTOMONTANAS
As florestas ombrófilas
densas altomontanas ocorrem nas altitudes superiores a 1.000
metros. Também são chamadas de mata nebular
ou floresta nuvígena, pois estão sujeitas à
alta umidade do ar proveniente dos ventos úmidos que
sopram do mar, sobem a serra e se resfriam, provocando precipitação
na forma de nevoeiro ou chuva. Estes ambientes são
constantemente saturados de umidade e a temperatura média
pode ser abaixo de 15º C, com marca de até -6º
C durante a noite.
Trata-se de uma vegetação
arbórea densa, uniestratificada, baixa, com um dossel
uniforme, entre 5 e 10 metros, formado por indivíduos
tortuosos, abundantemente ramificados e nanofoliados, revestidos
de musgos, hepáticas, orquídeas (ex. Sophronitis
spp, Oncidium spp e Maxilaria spp) e bromeliáceas coriáceas.
Porte, estrutura e composição florística
variam conforme altitude e espessura dos solos e a maioria
das espécies é seletiva xerófita, adaptada
às condições desfavoráveis e à
intensa insolação. Muitas ocorrem também
nas restingas e costões rochosos expostos à
maresia.
Mirtáceas, melastomatáceas
e aquifoliáceas costumam ser as famílias dominantes
da componente arbórea e as seguintes árvores
costumam ser frequentes: gramimunha-miúda (Weinmania
humilis), cambuí (Siphoneugena reitzii), guaperê
(Clethra scabra), quaresmeira (Tibouchina sellowiana), jabuticaba-do-campo
(Eugenia pluriflora), guamirim (Eugenia obtecta), cambuis
(Myrcia spp e Myrceugenia spp), congonha (Ilex theezans),
caúna (Ilex microdonta), mangue-do-mato (Clusia criuva),
pinho-bravo (Podocarpus selowii), casca-d'anta (Drymis brasiliensis),
cocão (Erythroxylum cuspidifolium) e orelha-da-onça
(Symplocos celastrina). Em lugares mais protegidos podem ocorrer
indivíduos de espécies típicas de altitudes
menores que, porém, apresentam desenvolvimento fraco.
Além das árvores, destaca-se a abundância
de espécies de bambus que podem formar grandes bolsões
monoespecíficos. No solo são frequentes as grandes
bromeliáceas terrestres e rupícolas (gêneros
Vriesia, Dyckia e Bromelia) e muitas pteridófitas (exemplos
característicos são os gêneros Gleichenia
e Polystichum).
CAMPOS DE ALTITUDE
Por fim, os campos de
altitude são formações abertas, não
florestais, que ocorrem a partir da cota dos 1.200 metros.
Embora disseminados nas serras interioranas mais altas, esses
campos são pouco freqüentes na Ecorregião
Serra do Mar, onde as maiores manchas se encontram nas serras
da divisa dos estados de Rio de Janeiro e Minas Gerais, nos
limites da chamada Ecorregião dos Campos Rupestres.
Fora dessa área existem pequenas manchas associadas
aos solos rasos e paredões de rocha exposta, nos morros
mais altos do complexo da Serra do Mar.
A flora dos campos de
altitude é formada principalmente por capins, bambuzinhos,
bromélias, orquídeas, velosiáceas, sempre-vivas,
musgos e líquenes. Uma característica importante
dessas formações é o alto grau de endemismo
de suas espécies vegetais, sendo muitas delas restritas
a uma serra ou mesmo.
(Fonte: Eduardo Accaccio/WWF-Brasil) |