
Na
Mata Atlântica iniciou-se o primeiro ciclo econômico
da colonização, com a exploração
do pau-brasil, uma essência tinturial, vermelha cor-de-brasa,
que deu nome à terra, tornando o Brasil o único
país do mundo a ter o nome de uma árvore.
Essa madeira preciosa serviu também na construção
das naus e na reconstrução de Lisboa de pois
do terremoto que a destruiu quase por completo, no século
XVIII. Ainda hoje a madeira do pau-brasil é considerada
a melhor para a fabricação de arcos de violino,
entre outros usos nobres, embora, assim como a Mata Atlântica,
de onde essa espécie é endêmica, esteja
seriamente ameaçada de extinção.
Para os primeiros colonizadores
e também para os diversos naturalistas europeus que
a conheceram, principalmente nos séculos XVIII e XIX,
a Mata Atlântica, ao mesmo tempo, provocava temor e
fascínio, como nos mostra Warren Dean em seu antológico
livro "A Ferro e Fogo - A História e a Devastação
da Mata Atlântica Brasileira".
Por um lado, era um local essencialmente
hostil, com seu aspecto sombrio e labiríntico, com
onças traiçoeiras e serpentes venenosas, com
batalhões incontroláveis de formigas e mosquitos,
em um belo, mas implacável inferno, verde, úmido
e quente.
Domínio Mata
Atlântica
Área Original = 1.306.000 km²
Remanescentes = 7,6% |
 |
|
Por outro lado a floresta virgem,
exuberante, era a própria visão do paraíso.
Palmeiras incontáveis, árvores com até
40 metros de altura recobertas por lianas, musgos, bromélias
e orquídeas, belos e exóticos animais como tucanos,
tamanduás, papagaios e araras multicoloridas, mutuns
e inúmeros beija-flores, borboletas azuis, antas, preguiças,
porcos-do-mato e uma grande diversidade de macacos e sagüis.
Também os indígenas, com sua cultura tão
distinta, reforçavam esse sentimento dúbio entre
o prazer e o medo. Nus “como Adão e Eva”,
em harmonia com a natureza rica em caça e pesca, água
pura e abundante, ervas e frutas saborosas, os indígenas
eram para alguns o símbolo da pureza humana. Para outros,
o mito se invertia, representando povos arredios, perigosos
canibais, almas ignorantes e pagãs a converter ao cristianismo
e à civilização.
Para o colonizador, ainda que
sensível à beleza da mata, a substituição
da floresta por cultivos, pastagens e cidades era entendida
com a base do “progresso civilizatório”
que se buscava.
Tendo a colonização
se concentrado até meados do século XX na faixa
costeira, e Mata Atlântica foi de todos os ecossistemas
brasileiros o mais destruído. Como em nenhuma outra
área, ali desenvolveram-se os ciclos econômicos
da cana-de-açúcar, do algodão e do café,
seguidos já nos séculos XIX e XX por intensos
processos de urbanização e expansão agrícola.
Levantamentos
realizados entre 1985 e 2000 pela Fundação SOS
Mata Atlântica indicam porém, que embora num
ritmo menor que décadas atrás, mas ao mesmo
tempo com maior gravidade devido ao estágio avançado
de degradação do Bioma como um todo, a Mata
Atlântica brasileira continua sendo intensamente destruída.
Depois de 500 anos de
utilização contínua restam dela apenas
4% de sua área original de matas primitivas e outros
4% em floresta secundárias.
Apesar de toda essa devastação a Mata ainda
abriga um dos mais importantes conjuntos de plantas e animais
de todo o planeta.
| Evolução
do desmatamento em São Paulo |
| |
 |
 |
 |
 |
 |
| Ano de 1500 |
Ano de 1907 |
Ano de 1920 |
Ano de 1973 |
Ano de 2000 |
|