Conservação Internacional - Brasil (Prêmio Muriqui Especial)
A Conservação Internacional (CI) é uma organização privada, sem fins lucrativos, de caráter técnico-científico. Desde 1990 o Programa do Brasil se transformou em uma entidade nacional autônoma, com a razão social "Conservation International do Brasil", e adotando, no país, o nome Conservação Internacional e a sigla CI-Brasil. A criação da organização foi motivada naquela época pela necessidade e compromisso de ajudar a sociedade a adotar uma abordagem mais sustentável para o desenvolvimento. Acreditávamos que existia espaço para organizações que desenvolvessem projetos de conservação com o imprescindível apoio e engajamento das populações e comunidades envolvidas, levando em conta suas necessidades e buscando alternativas econômicas compatíveis com a proteção dos ecossistemas naturais.
Fiel à sua missão de conservação da biodiversidade, procurando evitar a todo o custo extinções determinadas pela ação do homem, a CI-Brasil iniciou suas atividades no país em projetos que tinham por finalidade a proteção de espécies endêmicas e particularmente ameaçadas do país.
Foram ainda alvo das ações da organização as chamadas espécies-bandeira, que, em razão de seu apelo público, servem como importantes ferramentas para a proteção do hábitat de várias outras formas de plantas e animais. Com o crescimento dos investimentos da organização no Brasil e, por consequência, no escopo das suas atividades, projetos mais localizados de proteção de espécies evoluíram para complexos programas multidisciplinares visando, em grande parte, à criação ou manutenção de diferentes unidades de conservação em vários biomas brasileiros.
A Conservação Internacional vem evoluindo sua estratégia e hoje tem como missão promover o bem-estar humano, fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza, amparado em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo, estratégias de política e comunicação ambiental. Esses elementos contribuem para a promoção de um modelo de desenvolvimento chamado Economia Verde, ou seja, aquele que tem por base o desenvolvimento econômico aliado à manutenção e/ou ampliação do capital natural, e à melhoria de qualidade vida da população.
Nós acreditamos que o nosso bem-estar é um reflexo do bem-estar do ambiente natural. Com o ritmo da mudança e a generalização da degradação dos ambientes naturais, estamos perdendo muitos produtos e serviços prestados pelos ecossistemas naturais e sua biodiversidade. Nesse contexto, nosso desafio é contribuir para a reversão desse quadro de degradação e buscar junto com a sociedade as soluções e alternativas para o desenvolvimento sustentável. Acreditamos que a sobrevivência e a prosperidade da humanidade dependem de um modelo de desenvolvimento saudável e sustentável em que a sociedade valorize a biodiversidade, colaborando para a proteção e a gestão sustentável do capital natural. A Conservação Internacional trabalha em três dimensões para alavancar a transição para o modelo de "sociedades sustentáveis": (1) proteger a base do capital natural crítico capaz de sustentar as necessidades da sociedade e da proteção da biodiversidade a longo prazo; (2) apoiar o desenvolvimento de uma governança cada vez mais eficaz através do alinhamento de políticas adequadas, decisões de investimento para o desenvolvimento sólidas e capacitação institucional; e (3) colaborar na transformação dos sistemas de produção e consumo em escala para atender as necessidades humanas sem a erosãodo capital natural crítico.
Temos como objetivo mensurável melhorar aspectos de bem-estar humano que são mais intimamente ligados à proteção e ao uso sustentável do capital natural. Neste sentido, priorizamos quatro benefícios essenciais para a sobrevivência humana: clima estável, água fresca, comida e meios de subsistência. Além disso, temos como objetivo também proteger, aumentar e sustentar muitas outras ligações entre natureza e bem-estar humano, como saúde, serviços culturais, segurança energética e estabilidade social.
A Conservação Internacional trabalha de forma descentralizada, a partir de quatro escritórios e uma base de campo em cidades estratégicas para seus programas e projetos. Sua origem no Brasil se deu em Belo Horizonte, onde ainda mantém a sua sede administrativa. A principal razão era o epicentro de atividade de conservação de biodiversidade existente na capital mineira. Foi ali que houve a criação do primeiro curso de pós-graduação do Brasil, na UFMG, em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre, além da presença de conceituados cientistas envolvidos em estudos sobre conservação e sustentabilidade. A organização possui outros escritórios estrategicamente localizados em Brasília-DF, Rio de Janeiro-RJ, e Belém-PA, e uma base em Caravelas-BA.
A equipe da Conservação Internacional tem formação multidisciplinar, sendo integrada por profissionais das áreas de biologia, administração, direito, engenharias florestal e agronômica, economia, sociologia, comunicação, contabilidade e geografia. Estamos ligados a uma rede global formada por mais de 30 países. Além de seu próprio quadro técnico, a organização possui uma rede de mais de 100 parceiros estratégicos, distribuídos por diferentes regiões do Brasil. É o trabalho em rede com organizações da sociedade civil, agências multilaterais, entidades governamentais, institutos de pesquisa e ensino, proprietários rurais e empresas privadas que compartilham nossa missão, visão e valores que permite à Conservação Internacional a capacidade de implementar simultaneamente seus projetos.
A Conservação Internacional dirige seus esforços para os cinco biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Costeiro-Marinho. A organização possui também algumas ações na Caatinga. Para implementar paisagens sustentáveis ao mesmo tempo que promove a conservação e o uso sustentável do capital natural e o bem- estar para a população envolvida, a Conservação Internacional vem realizando ações em uma série de frentes em projetos e ações multidisciplinares, utilizando ferramentas integradas e combinando estratégias interligadas.
São inúmeros projetos e ações desenvolvidos ao longo desses anos em diferentes escalas de atuação. Vários trabalhos de apoio à criação e implementação de unidades de conservação como forma de ordenamento territorial, manutenção de serviços ambientais e proteção da biodiversidade envolveram a criação de parques nacionais, reservas extrativistas, reservas privadas (RPPN) e outras categorias, especialmente no Pará, Amapá, Sul da Bahia e Rio de Janeiro.
Vale destacar o pioneirismo em projetos de proteção e monitoramento da biodiversidade marinha, realizado em parceria com as comunidades pesqueiras há mais de 10 anos em Abrolhos, Sul da Bahia. Ao mesmo tempo temos trabalhado com a restauração de ambientes naturais envolvendo resgate de serviços ambientais, proteção de áreas estratégicas como mananciais e outras áreas de preservação permanente, associada à geração de renda e emprego. A CI-Brasil tem participação ativa, por exemplo, no Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, um amplo
movimento de mais de 200 instituições de vários setores da sociedade para ampliar a escala da restauração florestal no bioma Mata Atlântica. A seguir apresentamos mais informações sobre nossas ações e projetos nos biomas brasileiros.
CRONOGRAMA DE ATIVIDADES RELEVANTES
1990 – Foi realizado na Amazônia o primeiro dos workshops regionais para definição de áreas prioritárias para conservação da biodiversidade com a metodologia criada pela Conservação Internacional.
1991 – A CI-Brasil apoia a implementação do Projeto Mamirauá, hoje uma das mais importantes iniciativas de desenvolvimento sustentável na Amazônia.
1991 – Várias organizações, como Fundação Biodiversitas (MG), Ecotrópica (MT), Vitória Amazônica (AM), Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (RJ) e Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental - SPVS (PR), recebem apoio da CI-Brasil.
1992 – Início da parceria com os índios Kayapó, que hoje protegem uma das últimas grandes áreas da Amazônia no sul do Pará.
1992 – A CI-Brasil lança o sistema de informação geográfica CISIG e é pioneira no treinamento de ONGs para utilização dessa ferramenta em conservação da biodiversidade.
1993 – A CI-Brasil se estabelece no Pantanal com atividades para proteção de espécies ameaçadas e apoio à criação de reservas privadas.
1993 – Realizado o Workshop "Áreas e Ações Prioritárias para a Conservação da Mata Atlântica do Nordeste", chamando a atenção para uma das regiões mais críticas da Mata Atlântica.
1993 – Lançamento do Neotropical Primates, uma revista bilíngüe editada pela CI-Brasil e impressa em parceria com a Comissão de Sobrevivência de Espécies da International Union for Conservation of Nature (IUCN).
1994 – A CI-Brasil inicia a parceira com o Instituto de Estudos Sócio-Ambientais do Sul da Bahia (IESB) para proteção da Reserva Biológica de Una (BA), refúgio do mico-leão-de-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas), embrião para a implementação do Corredor de Biodiversidade Central da Mata Atlântica.
1994 – Início das Oficinas de Capacitação em Ecoturismo. A iniciativa formou a primeira geração de profissionais brasileiros no desenvolvimento de novos produtos em ecoturismo.
1995 – A CI-Brasil coordenou a reunião de consulta latino-americana para reestruturação do Global Environmental Facility (GEF), um importante fundo mundial para conservação da biodiversidade.
1996 – Início do Projeto Abrolhos para a proteção dos recifes de corais de Abrolhos, na Bahia, em parceria com o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos/IBAMA e o Instituto Baleia Jubarte.
1996 – Lançamento do Prêmio Ford de Conservação Ambiental, em parceria com a Ford Brasil, hoje um dos maiores prêmios de conservação do país.
1997 – A CI-Brasil foi declarada entidade de utilidade pública federal pelo Decreto de 16 de setembro de 1997.
1997 – Elaborado o conceito de Corredores de Biodiversidade como a base do Projeto Parques e Reservas, que visava o estabelecimento de corredores ecológicos na Amazônia e na Mata Atlântica, no âmbito do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais Brasileiras, conhecido como PPG-7.
1997 – A CI-Brasil inicia suas atividades para proteção do Parque Nacional das Emas, em Goiás, com apoio à pesquisa e ações no entorno da unidade de conservação, embrião do Projeto do Corredor de Biodiversidade Cerrado-Pantanal.
1998 – Realizado o Workshop "Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Pantanal", primeiro da série de workshops regionais para identificação de áreas e ações prioritárias para conservação dos Biomas brasileiros, já incorporados na Política Nacional de Biodiversidade.
1998 – O Instituto Terra é lançado com o apoio da CI-Brasil, e tem início o projeto de recuperação da Mata Atlântica no Vale do rio Doce entre Minas Gerais e Espírito Santo, uma das regiões mais afetadas econômica e ambientalmente pelo processo de desmatamento desordenado no país.
1999 – A CI-Brasil e a Fundação SOS Mata Atlântica criam a Aliança para Conservação da Mata Atlântica, que inaugurou um novo conceito de colaboração para a conservação da biodiversidade, no qual uma instituição nacional e outra com projeção internacional uniram-se sem perder sua identidade e trabalham com igual nível de decisão e responsabilidade para interromper o atual processo de destruição e extinção de espécies na Mata Atlântica.
1999 – Realizados os Workshops "Áreas e Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade da Mata Atlântica e Campos Sulinos" e "Áreas e Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade da Amazônia Brasileira" com o apoio da CI-Brasil, Ministério do Meio Ambiente e diversos parceiros, no âmbito da Política Nacional de Biodiversidade.
1999 – A Fazenda Rio Negro é adquirida pela CI-Brasil e se consolida como uma referência em ecoturismo, pesquisa e conservação no Pantanal em Mato Grosso do Sul.
1999 – A CI-Brasil apoia a criação dos Parques Nacionais do Pau-Brasil e Descobrimento, no sul da Bahia.
2000 – A CI-Brasil cria o Programa da Amazônia baseado em Belém, Pará, para a implementação de uma das principais wilderness areas do mundo.
2000 – Ano de grandes avanços na estratégia de conservação da vida marinha com a criação da Reserva Extrativista Marinha do Corumbau, na Bahia, e realização do Rapid Assessment Program (RAP) Marinho – Programa de Levantamento Rápido de Biodiversidade na região.
2000 – Criado o primeiro Parque Estadual no Pantanal Sul-Mato-Grossense – Parque Estadual do Rio Negro – com suporte da CI-Brasil ao governo do Mato Grosso do Sul.
2000 – Realizado o Workshop "Áreas e Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade da Caatinga" com o apoio da CI-Brasil no âmbito da Política Nacional de Biodiversidade.
2000 – A Aliança para a Conservação da Mata Atlântica (parceria entre as ONGs Conservação Internacional e Fundação SOS Mata Atlântica) lança a primeira Edição do Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica. O Prêmio é uma parceria com o Centro Internacional para Jornalistas e a Federação Internacional de Jornalistas Ambientais.
2001 – CI-Brasil inicia o Centro de Conservação para Biodiversidade (CBC-Brasil), visando ampliar a escala de ação da organização e seus parceiros nos hotspots e nas grandes regiões ainda conservadas do Brasil, através do fortalecimento de instituições e aplicação de investimentos estratégicos na conservação da biodiversidade, com o apoio da Gordon and Betty Moore Foundation.
2001 – Com o apoio da CI-Brasil, é criada a Estação Ecológica do Jalapão (TO), uma das maiores reservas do Cerrado, com 716 mil hectares.
2001 – É criada a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdala, na Fazenda Montes Claros, garantindo proteção de 1/3 da população do muriqui-do-norte, um dos 25 primatas mais ameaçados do mundo e espécie bandeira da Mata Atlântica. Os esforços do proprietário da Fazenda Montes Claros/RPPN Feliciano Miguel Abdala, aliados ao crescente trabalho da CI-Brasil, parceiros e de pesquisadores durante os últimos 20 anos contribuíram para quadruplicar a população de muriqui-do-norte na área.
2002 – Com o apoio da CI-Brasil, é criado o Parque Nacional das Montanhas de Tumucumaque (AP), sendo na época a maior área protegida do mundo, com 3.800.000 hectares.
2002 – Iniciado o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund - CEPF) na Mata Atlântica brasileira. O Fundo é destinado ao financiamento de projetos para a conservação dos hotspots de biodiversidade mundiais. Fruto de aliança entre a CI, o Banco Mundial, o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), a Fundação MacArthur, o Governo do Japão e a Agência Francesa de Desenvolvimento, o CEPF procura engajar a sociedade civil na conservação da biodiversidade e promover alianças de trabalho entre grupos comunitários, organizações não governamentais, instituições de ensino e o setor privado. O CEPF–Mata Atlântica investiu $12 milhões em mais de 300 projetos, envolvendo mais de 600 instituições, através da coordenação da Aliança para a Conservação da Mata Atlântica, parceria entre a CI-Brasil e a Fundação SOS Mata Atlântica.
2002 – A CI-Brasil apoia a criação do maior parque estadual do Rio de Janeiro – Parque Estadual dos Três Picos – e outras unidades de conservação no estado do Rio de Janeiro.
2002 – Realizada a mais completa revisão da lista de espécies ameaçadas de extinção da fauna brasileira em parceria com a Fundação Biodiversitas e o Ministério do Meio Ambiente. Foram aplicados os rigorosos critérios de ameaça da IUCN e realizadas consultas com dezenas de especialistas dos diferentes grupos biológicos.
2003 – Lançado o Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) pela Aliança para a Conservação da Mata Atlântica, com o objetivo de valorizar as reservas privadas existentes e incentivar a criação de novas áreas de preservação com a participação do setor privado.
2003 – Anunciada a criação do Corredor de Biodiversidade do Amapá, que representa um dos maiores conjuntos de áreas protegidas em unidades de conservação e terras indígenas do mundo.
2003 – Lançado o Programa de Proteção de Espécies, em parceria com a Fundação Biodiversitas e Centro de Pesquisas Ambientais, com o objetivo de promover estudos que visem à proteção e ao manejo das espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção da Mata Atlântica, com o suporte do "Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos".
2003 – Lançado o Programa de Fortalecimento Institucional dos Corredores de Biodiversidade da Mata Atlântica com suporte do "Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos". O Programa teve como objetivo contribuir para a implementação, restauração e conservação dos Corredores através do fortalecimento de pequenas ONGs ambientalistas e do estabelecimento de uma rede de ONGs nessas regiões. No Corredor Central o Programa foi coordenado pelo Instituto de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia (IESB) e no Corredor da Serra do Mar, pela Associação Mico-Leão Dourado (AMLD). O Programa apoiou a execução de 65 projetos, que contribuíram para a conservação da biodiversidade nos corredores e a capacitação e treinamento das instituições locais.
2003 – CI lança o livro "The Atlantic Forest of South America – Biodiversity Status, Threats, and Outlook", resultante do projeto State of the Hotspots, que contou com a parceria da Fundação SOS Mata Atlântica. O livro tem a finalidade de contribuir para a produção de dados inéditos e informações para subsidiar as ações e influenciar as políticas públicas relativas à conservação da biodiversidade da Mata Atlântica. O livro reúne, pela primeira vez, em uma única publicação, pesquisadores e especialistas dos três países que possuem Mata Atlântica em seu território – Argentina, Brasil e Paraguai -, apresentando informações e análises sobre a conservação de espécies ameaçadas, evolução da cobertura florestal, áreas protegidas, capacidade institucional, ameaças etc.
2004 – Estabelecimento de parceria com o Programa Rio Rural da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro. O Rio Rural é um programa de manejo sustentável de microbacias, envolvendo benefícios para cerca de 180 mil pessoas em dezenas de municípios no estado.
2004 – Realização de expedições científicas para o mapeamento da biodiversidade nas unidades de conservação do Corredor do Amapá, em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), o Ibama-Amapá e o Exército Brasileiro.
2004 – A CI-Brasil apoia o Governo do Estado do Amazonas na criação de 9 unidades de conservação totalizando 3 milhões de hectares.
2004 – A CI-Brasil integra o 'Programa para a Conservação da Biodiversidade nos Sítios do Patrimônio Mundial Natural do Brasil', uma parceria que envolve Ministério do Meio Ambiente, Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), Fundação das Nações Unidas, WWF e TNC.
2004 – Criado o Pacto Murici para o planejamento e a implementação, de forma integrada, de ações para a conservação da Mata Atlântica do Nordeste. O Pacto é formado por oito organizações não-governamentais ambientalistas – Birdlife International (BI); Centro de Estudos e Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN); Conservação Internacional (CI-Brasil); Fundação SOS Mata Atlântica (SOS); Instituto Amigos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (IA-RBMA); The Nature Conservancy (TNC); Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE) e WWF-Brasil. Essa aliança inédita de grandes organizações tem por objetivo criar novos padrões de atuação no Corredor de Biodiversidade do Nordeste (Mata Atlântica acima do rio São Francisco), atraindo parceiros dos setores público e privado, para acelerar as mudanças em favor da proteção e conservação da biodiversidade na região.
2005 – Lançada a Revista "Megadiversidade", publicação científica editada pela CI-Brasil. O primeiro volume mostrou a proeminência da biodiversidade no Brasil e a situação de sua conservação, sob o ponto de vista de 55 especialistas brasileiros e estrangeiros, em 26 artigos, inicialmente publicados como seção especial da revista Conservation Biology. Na publicação, cientistas analisam os dados existentes para os vários grupos de fauna e flora, refletem sobre a história brasileira do ambientalismo, indicam o estado de conservação dos principais biomas do país e ainda debatem temas críticos como reforma agrária, mecanismos financeiros para a conservação, desenvolvimento de infra-estrutura e questões indígenas.
2005 – A CI-Brasil contribui para a disseminação das informações da segunda edição do estudo sobre os Hotspots de Biodiversidade lançado pela CI global. Durante quatro anos, 400 especialistas trabalharam para reavaliar os Hotspots. O novo livro identifica 34 regiões, hábitat de 75% dos mamíferos, aves e anfíbios mais ameaçados do planeta. Nove regiões foram incorporadas à primeira versão do estudo, publicado em 1999. A Mata Atlântica e o Cerrado continuam na lista dos Hotspots mundiais de biodiversidade.
2005 – CI-Brasil participa como membro da Equipe Técnico-Científica para criação e ampliação de 20 unidades de conservação no sul da Bahia, dentro do Corredor Central da Mata Atlântica. A Equipe Técnico-Científica é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e envolve membros do Ibama, organizações governamentais da Bahia e Minas Gerais, várias organizações da sociedade civil (IESB; Associação Flora Brasil; TNC; BirdLife International; Instituto Floresta Viva e outros) e universidades com trabalhos voltados para a região-alvo. A CI-Brasil aprova dois projetos no Global Conservation Fund para apoiar esta iniciativa.
2006 – A CI-Brasil apoia a estratégia de implementação e criação de Mosaicos de Unidades de Conservação na Mata Atlântica em parceria com o Instituto Amigos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Três mosaicos são criados: Mosaico Bocaina, na região de Paraty (RJ) e Ubatuba (SP); Mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense, na região serrana do Rio de Janeiro e Mosaico da Serra da Mantiqueira, composto por unidades de conservação de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os três mosaicos envolvem 51 unidades de conservação, totalizando quase um milhão de hectares.
2006 – A CI-Brasil apoia a criação da Estação Ecológica do Grão Pará, ao norte do rio Amazonas no estado do Pará. Com 4,2 milhões de hectares, torna-se a maior unidade de conservação do mundo, inserida no Escudo das Guianas, maior bloco florestal protegido no planeta.
2007 – CI-Brasil é parceira de uma análise detalhada de dados biológicos do estado de São Paulo que envolveu mais de 160 pesquisadores e um banco de dados com cerca de 300 mil registros de espécies da fauna e flora para definição de diretrizes da Política de Conservação e Restauração da Biodiversidade no Estado de São Paulo. Como resultado foram identificadas áreas para proteção e criação de unidades de conservação para milhares de espécies-alvo no estado e, pela primeira vez, apontadas as áreas onde devem ser concentrados os esforços para a recuperação florestal em solo paulista.
2007 – CI-Brasil apoiou o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo para a análise e publicação do livro "Peixes de Água Doce da Mata Atlântica – Lista preliminar das espécies e comentários sobre a conservação dos peixes de água doce neotropicais". A publicação traz, pela primeira vez, uma lista preliminar das espécies de peixes que ocorrem no bioma e apresenta, para cada uma, dados como 'localidade tipo' (local onde foi coletado o exemplar que deu origem à descrição da espécie), distribuição, estado sistemático, sinônimos, ecologia e estado de conservação.
2007 – A CI-Brasil participa da criação do Diálogo Florestal da Mata Atlântica, fórum que reúne empresas do setor florestal e organizações não governamentais ambientalistas para discutir e propor ações concretas para a conservação e recuperação da Mata Atlântica em vários estados da Mata Atlântica.
2008 – CI-Brasil, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, contribui para a criação do Parque Estadual de Cunhambebe com 38.000 hectares, no estado do Rio de Janeiro, ampliando a conexão entre a rede de unidades de conservação do sul do estado com a região serrana do Rio de Janeiro.
2008 – O Programa "Extinção Zero" para a proteção de espécies ameaçadas de extinção no Pará é lançado pela CI-Brasil em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e o Museu Paraense Emílio Goeldi.
2008 – CI-Brasil e Fundação Biodiversitas entregam ao Ministério do Meio Ambiente o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. A publicação apresenta um amplo conjunto de informações das espécies presentes nas Listas Nacionais Oficiais de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. São mais de mil e quatrocentas páginas distribuídas em dois volumes, com dados sobre biologia, distribuição geográfica, presença em unidades de conservação, principais ameaças, estratégias de conservação, indicações de especialistas e de núcleos de pesquisa e conservação envolvidos com as espécies.
2009 – A CI-Brasil está entre as entidades que coordenaram o lançamento do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica. A iniciativa envolve mais de 200 instituições, entre ONGs, universidades e agências do governo, de todos os principais estados do bioma.
2009 – Em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana, a CI-Brasil lança um livro com a lista de plantas raras do Brasil, atualmente usada para apoiar a lista oficial de plantas brasileiras ameaçadas de extinção.
2010 – A CI-Brasil apoia os estudos e a publicação da primeira lista de plantas da Mata Atlântica. Esta publicação é uma avaliação valiosa e inédita sobre as plantas da Mata Atlântica, que contou com a coordenação do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Minas Gerais, Jardim Botânico do Rio de Janeiro e vários centros de pesquisa e dezenas de pesquisadores e especialistas.
2010 – O Complexo de Abrolhos foi reconhecido como um Seascape mundial, como parte da nova estratégia marinha global desenvolvida pela instituição. O reconhecimento incluiu a área como uma prioridade para os investimentos e para o desenvolvimento de modelos de conservação marinha.
2010 – A CI-Brasil inicia parceria com o Instituto Amigos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica para estruturar a Secretaria Executiva do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e desenvolver a iniciativa.
2010 – CI-Brasil juntou esforços com o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a identificação de 819 espécies de peixes raros de água doce no Brasil. O estudo, publicado pela revista científica eletrônica PLoS ONE é resultado das análises das informações acumuladas ao longo de décadas sobre a fauna de peixes brasileiros e de coleções científicas e representa o mais completo mapeamento já elaborado sobre peixes raros de água doce no Brasil. Com base nas distribuições das espécies de peixes raros foram identificadas 540 bacias hidrográficas que podem ser consideradas áreas-chave para a conservação dos ecossistemas aquáticos brasileiros.
2011 – Em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Global Conservation Fund, a CI-Brasil cria um fundo para apoiar as atividades na terra indígena Kayapó, consolidando quase 20 anos de parceria com a comunidade kayapó.
2011 – CI-Brasil assina contrato com quatro grandes empresas no Brasil – Vale, Natura, Santander, Monsanto – para produzir o relatório "A Economia de Ecossistemas e Biodiversidade (TEEB) para o Setor de Negócios Brasileiro" (TEEB), uma avaliação do valor da biodiversidade e de serviços ambientais para diferentes áreas do setor privado.
2012 – Iniciado o Programa de Desenvolvimento e Qualificação dos Viveiros Florestais da Mata Atlântica do Rio de Janeiro (Pró-Viveiros), uma iniciativa da CI-Brasil, com parceria da Natural Partners. A iniciativa para a qualificação dos viveiros visa cobrir as lacunas e enfrentar os desafios do fortalecimento da cadeia da restauração florestal.
2012 – A CI-Brasil contribuiu com o Instituto Ambiental do Rio de Janeiro para o desenvolvimento da primeira legislação específica para serviços ambientais em unidades de conservação.
2012 – Depois de apoiar a construção do plano de ação para proteção das duas espécies de muriqui, a CI-Brasil inicia colaboração com o ICMBio e vários centros de pesquisa para a implementação do chamado PAN Muriqui, visando a proteção em longo prazo dessa espécie bandeira da Mata Atlântica.
2012 – A CI-Brasil e a editora Casa da Palavra, com o patrocínio da Vale, lançam o livro Biomas brasileiros – retratos de um país plural. O livro apresenta textos de grandes especialistas em ecologia, ciências naturais, preservação e economia, sobre a biodiversidade brasileira. |