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No Brasil a Mata Atlântica
ocorre em 17 estados e em cerca de 3400 municípios.
Três estados (RJ, ES, SC) estão integralmente
incluídos no Domínio da Mata Atlântica.
Os Comitês Estaduais são as
instâncias que coordenam a implantação
da Reserva nos respectivos estados, mantendo os princípios
e diretrizes delineados pelo CN-RBMA, com a finalidade de
promover políticas públicas e estimular projetos
e atividades voltadas ao conhecimento, à conservação
e ao desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica.
Os Comitês Estaduais são criados
por Decreto do Governo Estadual ou por Resolução
dos Secretários de Meio Ambiente.
Papel dos Comitês
Estaduais na Gestão da Reserva da Biosfera da Mata
Atlântica
Os Comitês Estaduais devem atuar
como instâncias de apoio e articulação
entre os órgãos governamentais, em todos os
seus níveis e instâncias, as organizações
não governamentais (ambientalistas e sociais), o
setor científico, moradores locais (especialmente
as comunidades tradicionais) e setores empresariais, em
cada estado abrangido pela reserva. São criados por
decretos estaduais, tem composição paritária
entre governo e sociedade civil e tem seu funcionamento
definido em Diretrizes do Conselho Nacional e Regimento
Interno.
Por serem instâncias de articulação
e apoio, os Comitês e Sub-comitês Estaduais
da RBMA não substituem qualquer órgão
em suas atribuições ou competências.
Ao contrário, colaboram e apoiam estas instituições
auxiliando na abertura de canais de comunicação.
Neste sentido os Comitês Estaduais
da RBMA tem caráter consultivo junto as instâncias
e instituições que atuam na mata atlântica
e têm caráter deliberativo para as questões
internas da RBMA ou para outras atribuições
que lhe forem delegadas em cada estado.
Os Sub-comitês Estaduais da RBMA
são estabelecidos pelo Comitê Estadual e reconhecidos
pelo Conselho Nacional ou por seu Bureau, quando as dimensões
e características da RBMA no estado assim o exigirem,
visando atender as peculiaridades regionais e ampliar a
participação local na implantação
da reserva. Os Sub-comitês, dentro de sua área
de atuação, devem seguir as mesmas normas
e atribuições definidas para os Comitês
Estaduais.
Por decisão autônoma de cada
estado vários comitês tem sido reconhecidos
e designados para exercerem o papel de comitês gestores
de grandes programas ou projetos de conservação
e desenvolvimento sustentável da mata atlântica.
Quando funcionando como Conselhos Gestores
de Projetos Específicos é definido um regulamento
próprio a ser incorporado no Regimento Interno do
Comitê Estadual.
A título de exemplo os Comitês
Estaduais da RBMA dos estados da Bahia e do Espírito
Santo, por determinação de seus governos estaduais
em conjunto com o governo federal e os doadores do PPG7:
Programa Piloto de Florestas Tropicais do G7 (Grupo dos
7 países mais ricos), assumiram o papel de Comitês
Gestores (deliberativos) do "Projeto Corredor Central
da Mata Atlântica" em seus estados.
Também para a implementação
do Sub-programa Mata Atlântica do Ministério
do Meio Ambiente, com recursos do PPG7, na ordem de US$
100,000,000.00 (cem milhões de dólares) ficou
definido pelo MMA que os Comitês Estaduais da RBMA
exercerão o papel de conselhos gestores deliberativos
do sub-programa.
Os governos dos estados do Rio Grande do
Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro estão delegando
a coordenação da gestão dos Projetos
Bilaterais do KFW para os Comitês Estaduais da RBMA
de seus estados, com total apoio do KFW. Nestes estados,
o decreto governamental de criação dos comitês
também os definirão como deliberativos.
Os Comitês Estaduais também
tem se transformado em fóruns privilegiados para
a discussão em nível estadual de projetos
nacionais coordenados por ONGs. Entre os exemplos pode-se
citar as discussões do Atlas dos Remanescentes Florestais
da Mata Atlântica (Fundação SOS Mata
Atlântica e INPE) que utiliza os Comitês da
RBMA para a checagem de dados e o estabelecimento de estratégias
para divulgação do Atlas nos Estados.
Também a Conservation International
tem utilizado a estrutura dos Comitês para as discussões
das ações CEPF - Critical Ecossistem Parthner
Fund, que apoia os "Hot Spots de biodiversidade no
Mundo" para projetos a serem desenvolvidos na Mata
Atlântica nos estados da Bahia, Espírito Santo,
Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
O Conselho Nacional da RBMA está
em entendimento com vários dos Fundos de Meio Ambiente
no país (e algumas fontes do exterior) para que se
consolide ainda mais o papel articulador e facilitador dos
Comitês da RBMA nos estados. Assim, pretende-se que,
para projetos voltados à Mata Atlântica em
um certo Estado, sejam consideradas as prioridades estabelecidas
consensualmente nos Comitês e/ou buscado o parecer
do mesmo, de forma a integrar políticas, evitar superposição
de esforços ou falta de apoio para áreas ou
temas importantes para o Bioma naquele Estado.
Por sinal, o papel principal dos Comitês
Estaduais da RBMA é servir de fórum de articulação
interinstitucional voltado a promover políticas públicas
e estimular projetos e atividades voltadas ao conhecimento,
a conservação e ao desenvolvimento sustentável
da Mata Atlântica.
Recentes exemplos são muito significativos
nesta direção: O Comitê Estadual de
Santa Catarina propôs a regulamentação
do manejo do palmito para o Estado, bem como atuou fortemente
no estabelecimento de uma política de suspensão
da exploração de espécies ameaçadas
de extinção na Mata Atlântica. Essas
duas propostas foram aprovadas pelo CONAMA, servindo de
referência também para as demais regiões
da Mata Atlântica.
Também na integração
de políticas setoriais é cada vez mais importante
o papel dos Comitês da RBMA como ficou demonstrado
na ação dos Comitês (Pernambuco, Bahia
e Rio Grande do Sul) envolvidas no projeto Águas
e Florestas (Coordenado pelo CNRBMA) integrando suas ações
com os Comitês de Bacia das áreas do projeto.
A atuação dos Comitês Estaduais ganha
ainda maior importância quando trata de questões
que extrapolam os limites físicos dos seus Estados,
contribuindo para a conservação e o desenvolvimento
sustentável de ecossistemas transfronteiriços
(interestaduais) ou fortalecendo a articulação
regional.
Neste sentido merece destaque a atuação
dos Comitês do Nordeste que desde 1999, vem realizando
Encontros Regionais e atuando conjuntamente na proposição
e implementação de projetos como o Mapeamento
da Mata Atlântica no Nordeste. A partir deste ano
os Comitês da Região Sul também estão
realizando Encontros e Projetos regionais.
Nesta mesma linha, tem-se incentivado a
atuação dos Comitês no seu papel de
estimular e apoiar as parcerias e a gestão participativa
em outros níveis, no âmbito estadual. É
assim com o apoio à Criação de Consórcios
Intermunicipais e de Conselhos de Gestão das Unidades
de Conservação (Zonas Núcleo da RBMA).
Propostas para Conselhos de Gestão
de UCs vem sendo apoiados pela RBMA através do Conselho
Nacional e dos Comitês em várias regiões
(São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina,
Alagoas, etc).
Consórcios intermunicipais também
tem tido este apoio a exemplo do Consórcio do Alto
Taquari (RS), o do Alto Ribeira (SP) e "Consórcio
Intermunicipal da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica"
para a Serra da Bocaina e Litoral, recém criado,
constituído por 13 municípios, de dois estados,
São Paulo e Rio de Janeiro.
A Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
funciona como uma abrangente rede de articulação
e vem se transformando em um interlocutor privilegiado e
influente nas discussões e ações de
conservação ambiental e de desenvolvimento
sustentável na área desse Bioma. Neste processo
é cada vez maior o papel dos Comitês Estaduais
da RBMA.
Clayton Ferreira Lino
Presidente do CNRBMA