Seminário apresenta alternativas econômicas para a produção rural na bacia do alto Rio Preto

Com a presença de proprietários rurais, moradores e profissionais da área ambiental e agronômica, realizou-se no dia 5 de maio seminário sobre alternativas econômicas para a produção rural na bacia do alto Rio Preto. O evento foi aberto pelo presidente da Agência do Meio Ambiente do Município de Resende-AMAR, Luis Felipe Cesar, e pelo secretário de Desenvolvimento Rural de Resende, Edino Camoleze. Também estavam presentes o secretário de Meio Ambiente de Bocaina de Minas, Alfredo Carvalho, e a diretora de Meio Ambiente de Quatis, Mayra Ferrari da Cunha.

O primeiro palestrante, Feliciano Ribeiro, apresentou o tema “Óleos Essenciais: uma cadeia produtiva agro-ecológica”. Após um breve diagnostico sobre a situação da produção agro-pecuária de Resende, Itatiaia e Bocaina, o palestrante contextualizou a região de Visconde de Mauá como um espaço propício para o desenvolvimento de sistemas produtivos compatíveis com a realidade do ambiente de montanha.

Informou que o Brasil, em 2006, exportou 641 milhões de dólares em óleos essenciais, aromas e fragrâncias, tendo importado, no mesmo período, 443 milhões, números que expressam o vigor desse mercado e as oportunidades existentes, em especial no momento em que os chamados “aromas do Brasil” estão muito valorizados em todo o mundo. Destacou o palestrante, no entanto, que a viabilidade depende de aprendizado, sensibilidade, trabalho conjunto e produção profissionalizada, através da união de produtores rurais, artesãos, entidades de fomento, rede de ensino e empresas comunitárias.

Foram citadas algumas plantas produtoras de óleos essenciais, entre elas: curcuma longa (tipo de açafrão), ginseng brasileiro, gengibre, vetiver, camomila, louro, alecrim, cujos preços por quilo, ao produtor, podem superar os 70 dólares. Além disso, a inclusão da fitoterapia no Sistema Unificado de Saúde (SUS) promoverá um grande aumento da demanda de plantas medicinais como, por exemplo, a espinheira santa.

O segundo palestrante, Serafim Maciel Moreira Alves, apresentou o tema “Produção e Comércio de Pepino Cornichon”, cuja produção vem obtendo bons resultados na região, com modelo implantado no Acampamento Terra Livre, em Resende. Mais uma vez foi citada a necessidade de volume de produção para que seja economicamente viável abastecer os mercados de Rio de Janeiro e São Paulo. Localizada em Quatis, sua empresa efetua o processamento primário do produto, que consiste na classificação, lavagem e acondicionamento para transporte. Uma área com apenas um hectare de pepino possui 40 mil plantas e produz 40 toneladas em 60 dias. Para efeito de manejo do solo, utiliza-se a rotação de cultura com pimenta mexicana, que também tem boa aceitação no mercado.

Na parte da tarde, Celina Llerena, da Escola de Bioarquitetura e Centro de Pesquisa e Tecnologia Experimental em Bambu (EBIOBAMBU), falou sobre “Tecnologias Agrícolas e Agroindustriais em Bambu para o Desenvolvimento Sustentável Integrado”. Após relatar as diversas utilizações do bambu em todo o mundo – desde construções da casas, embalagens, laminados, artesanato, móveis, pisos, até alimentos (broto de bambu), mais uma vez a escala de produção foi lembrada como fator essencial para garantir a cadeia produtiva e viabilizar o mercado. Um hectare da espécie adequada para fornecer estrutura de construção rende ao produtor 13 mil reais, oito anos após o plantio.

O evento faz parte da agenda de atividades aprovada pelo Conselho Gestor da região, tendo se realizado no Centro de Gestão Integrada, localizado na Vila de Visconde de Mauá. O espaço é gerenciado pela Prefeitura de Resende, através da agência municipal do meio ambiente – AMAR, no contexto do Programa de Gestão Sócio-ambiental na Mantiqueira - Microbacia do Alto Rio Preto. O Programa vem sendo implementado desde 2005, com apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e da Ashoka, por iniciativa da ONG Crescente Fértil, Associação Nova Terra e Instituto Ideas, em parceria com organizações da região e com as prefeituras de Bocaina de Minas, Itatiaia e Resende, além da Serla-RJ e do Ibama.

O presidente da AMAR, Luis Felipe Cesar, destaca a importância de que se multipliquem cursos de formação em sistemas de produção ambientalmente sustentáveis, a fim de que sejam alavancadas melhores condições econômicas para regiões de montanha como Visconde de Mauá e outras áreas da Serra da Mantiqueira. Lembrou também a integração dos municípios da bacia do alto Rio Preto, com a presença de moradores de Quatis, Itatiaia e de Bocaina, como fator de fortalecimento regional.

 
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