
Grupo de Trabalho
4 - As Reservas da Biosfera Como Modelos de Gestão
do Território e de Desenvolvimento Sustentável
Moderador:
Sr. J. Mburugu (Quênia)
O grupo de trabalho escutou
as apresentações realizadas pelas Sras. June
Marie Mow (Colômbia) sobre a Reserva da Biosfera San
Andrés/Seaflower e Alicia Toribio (Argentina) sobre
o papel dos especialistas em ciências sociais das Reservas
da Biosfera na América Latina, assim como dos Srs.
Joseph Mburugu (Quênia) sobre a Reserva da Biosfera
de Amboseli, Neou Bonheur (Camboja) sobre a Reserva da Biosfera
de Tonle Sap, e Olof Olsson (Suécia) sobre o valor
acrescentado às Reservas da Biosfera nos enfoques do
desenvolvimento sustentável.
O Grupo de Trabalho examinou
a questão dos enfoques de desenvolvimento sustentável
com relação aos três objetivos da Meta
II da Estratégia de Sevilha, concentrando-se na experiência
no campo. O caso de Amboseli demonstrou como se transformou
uma antiga área protegida da Africa em um local para
a gestão sustentável de um ecossistema que levava
em conta os interesses das comunidades locais. O caso de Tonle
Sap apresentou um compromisso muito complexo para a Estratégia
de Sevilha, já que uma grande parte da economia do
país está relacionada com o desenvolvimento
deste lugar. San Andrés/Seaflower da Colômbia
ofereceu um exemplo de gestão dos recursos costeiros
e marinhos de uma Reserva da Biosfera em um grande arquipélago.
O Grupo de Trabalho esteve de acordo com que as dimensões
sociais, econômicas e culturais descritas pela Argentina
e Suécia resultaram fatos cruciais para permitir que
as Reservas da Biosfera explorem diferentes enfoques de desenvolvimento
sustentável.
O Grupo de Trabalho observou
que ainda se tem muito por fazer antes que se possa considerar
que nenhuma das Reservas da Biosfera sejam um modelo totalmente
ideal e funcional de desenvolvimento sustentável dos
recursos terrestres, costeiros e marinhos. Para avançar
neste sentido, deverão ser tomadas ações
que cumpram com as seguintes recomendações:
Objetivo II.1: Garantir
o apoio e o comprometimento dos habitantes locais
1. Os responsáveis
do sítio e das autoridades nacionais deveriam fortalecer
o comprometimento e a participação dos habitantes
locais para a gestão e desenvolvimento sustentável
dos recursos através de formação, avaliações
rurais participativas e oficinas na comunidade. Somente quando
as comunidades locais e as ONGs se transformem em sócios
ativos da planificação, da gestão e da
tomada de decisões dentro das Reservas da Biosfera,
podemos dizer que o apoio dos habitantes locais está
garantido.
2. O conhecimento
das ciências sociais é crucial para conseguir
o apoio das comunidades locais. As autoridades nacionais deveriam
realizar um maior esforço para melhorar os estudos
interdisciplinares, em particular aqueles que unem as ciências
naturais e as ciências sociais dentro de suas próprias
Reservas da Biosfera.
Objetivo II.2: Garantir
uma melhor harmonização e interação
entre as diferentes zonas das Reservas d Biosfera
3. Os responsáveis
do sitio e as autoridades nacionais deveriam desenvolver e
utilizar sistemas locais de informação, sempre
que seja adequado, como base para promover uma gestão
integrada do território e enfoques de desenvolvimento
sustentável nas Reservas da Biosfera. Estes sistemas
deveriam aumentar o intercâmbio de informação
entre os usuários dos recursos e aproveitar de todas
as formas de conhecimento, em especial do conhecimento indígena.
4. A Secretaria
deveria desenvolver diretrizes básicas para identificar
os agentes comprometidos nas três zonas, assim como
para as três funções das Reservas da Biosfera;
tais diretrizes deveriam facilitar a participação
dos agentes na gestão prática das Reservas da
Biosfera.
5. As autoridades
nacionais, com ajuda da Secretaria, quando seja adequado,
deveriam desenvolver diretrizes técnicas para o uso
e o cuidado do território nas Reservas da Biosfera,
assim como diretrizes para o uso dos recursos marinhos, baseados
na experiência dos diferentes países. Essas diretrizes
técnicas analisariam a questão da resolução
de conflitos no uso da terra e nas práticas de gestão
territorial.
Objetivo II.3: Integrar
as Reservas da Biosfera na planificação regional
6. As Reservas
da Biosfera deveriam ter objetivos de gestão claramente
redigidos (segundo o zoneamento das Reservas da Biosfera)
que servam para integrar a Reserva da Biosfera na planificação
regional, incluindo as zonas marinhas e costeiras. Estes objetivos
de gestão também deveriam incluir as dimensões
sócio-econômicas. Para isso, os responsáveis
locais e as autoridades nacionais ajudariam na implementação
do processo do BRIM. As autoridades nacionais, com ajuda da
Secretaria, quando fosse necessário, desenvolveriam
indicadores para avaliar e controlar o progresso das Reservas
da Biosfera para atingir um desenvolvimento sustentável
em escala regional.
7. A planificação
regional deve abranger a todos os grupos de agentes. Para
garantir uma participação igual a todos esses
grupos, as autoridades nacionais deveriam ajudar a criar as
capacidades técnicas que permitam desenhar, obter os
fundos e implantar atividades das Reservas da Biosfera, incluindo
a procura por financiamentos.
8. As
autoridades nacionais e dos lugares deveriam recolher e publicar
os casos de experiências que tiveram êxito ao
integrar as Reservas da Biosfera na planificação
regional.
|