
A Mata Atlântica foi,
nos últimos 500 anos, vítima de uma exploração
feroz e insensata. Mais de 90% de sua cobertura original foi
derrubada, e o que sobrou ainda sofre pressões de todos
os tipos.
A consciência tardou,
e ainda tarda, a chegar. Apesar das advertências de
quem tudo observava com olhos mais lúcidos e menos
imediatistas.
José Bonifácio,
nosso “Patriarca da Independência” , que
também foi responsável por projetos de reflorestamento
em Portugal, viajando por São Paulo em 1819, ficou
chocado coma devastação do seu Estado natal,
e fez previsões sombrias , afirmando que se nada fosse
feito, em menos de dois séculos o país se veria
reduzido “aos paramos da Líbia”...
O botânico francês
Saint-Hilaire, observando a falta de arborização
nas plantações em 1822, aumentou a perda das
“belas florestas, cujos preciosos arvoredos, se manejados
com cuidado, poderiam ter bastado para uma longa sucessão
de 3 gerações.”
O jornalista e escritor Euclides
da Cunha, viajando do Rio de Janeiro para São Paulo
em 1901, escreveu os textos “Fazedores de desertos”
e “Entre as ruínas”, em que descrevia as
pilhas de lenha estocadas ao longo das encostas áridas
escavadas pela erosão, que atestavam o esgotamento
da terra provocado pelos agricultores do café.
No fim da década de
1920, era comum o costume de se comprar terra apenas para
retirar sua madeira. Quando acabavam os melhores tipos os
donos vendiam tudo e se mudavam. Em 1952, por causa dos múltiplos
usos que se fizeram da floresta, já era tarde. A demanda
de lenha ara uso doméstico, ferrovias e indústrias,
juntamente coma agricultura sem planejamento, a pecuária
extensiva e a ampliação das rodovias e malhas
urbanas, já tinham reduzido a floresta no Estado de
São Paulo a 18% de sua cobertura original.
A destruição
no litoral era também acelerada por uma intensa especulação
imobiliária, que deslocava as populações
tradicionais para uma vida miserável na periferia das
cidades , e pelo comércio d e plantas e animais que,
infelizmente, ainda é enorme.
Orquídeas, borboletas,
plumas e peles de pássaros, tudo era cobiçado.
Segundo Warren Dean, autor de A Ferro e Fogo – A História
e a Devastação da Mata Atlântica Brasileira,
calcula-se que, antes da Primeira Guerra Mundial, 400 mil
peles de beija-flores e 360 mil peles de outros pássaros,
principalmente garças-reais, foram mandadas para o
exterior num espaço de poucos anos.
No início da década
de 1970, o quadro era triste: áreas degradadas, erosão,
pobreza, seca, morte. A visão desoladora levava á
inquietação e ao medo. E isso não era
uma exclusividade da Mata Atlântica. Em todo o planeta,
diante de semelhantes cenários de desequilíbrio,
cidadãos se reuniram para discutir as conseqüências
do modelo de crescimento econômico. O mundo inteiro
se dava conta : era um modelo que precisava urgentemente de
uma revisão.
(Não matarás- A RBMA e sua adaptação
em São Paulo – Pag 120 e 121)
|