
A
fauna da Ecorregião Serra do Mar é muito diversificada
e, por estar inserida na porção mais desenvolvida
e ocupada do território brasileiro, relativamente bem
conhecida. Para se ter uma idéia de sua diversidade,
a ecorregião abriga 8 espécies de primatas,
75 espécies de serpentes, mais de 500 espécies
de aves e mais de 1.000 espécies de borboletas. Como
acontece com a flora, muitas espécies de animais da
Ecorregião Serra do Mar são compartilhadas com
ecorregiões vizinhas, principalmente a Ecorregião
Florestas do Alto Paraná e a Ecorregião das
Florestas Costeiras da Bahia.
Os endemismos entre a fauna
seguem padrão semelhante ao da flora. Ou seja, não
existem espécies exclusivas da Ecorregião Serra
do Mar, mas sim espécies cuja principal área
de distribuição se sobrepõe àquela
da ecorregião e espécies de distribuição
restrita, endêmicas de uma parte da ecorregião.
Os primatas constituem um bom exemplo: 3 das 8 espécies
– Callithrix aurita, Cebus apella nigritus e Alouatta
fusca clamitans - têm a maior parte da distribuição
concentrada na floresta ombrofila densa, mas ocorrem também
em áreas de floresta ombrófila mista e floresta
estacional semidecidual, que fazem parte de ecorregiões
vizinhas, enquanto 2 outras espécies – Leontopithecus
caiçara e L. rosalia - são endêmicos de
partes distintas da Ecorregião Serra do Mar. Os demais
endemismos que se destacam entre as espécies de mamíferos
são diversos gêneros de roedores – Delomys,
Rhagomys, Phaenomys, Nelomys (3 das 6 espécies), Kannabateomys
–, alguns dos quais bastante raros, que só foram
redescobertos durante a década de 90.
Além
da questão dos endemismos, deve-se considerar o problema
das espécies de distribuição mais ampla
ameaçadas de extinção. Os grandes fragmentos
florestais da Ecorregião Serra do Mar representam os
últimos refúgios para espécies antes
distribuídas pela maior parte da Mata Atlântica,
como a jacutinga (Pipile jacutinga), que foi exterminada pela
caça em grande parte de sua área de distribuição.
Outras espécies de animais e plantas que ocorriam ao
longo da costa brasileira, como o mono-carvoeiro (Brachyteles
aracnoides), tiveram suas populações muito reduzidas
e fragmentadas em Minas Gerais, Espírito Santo e estados
do nordeste, mas ainda se mantêm em número razoável
no complexo da Serra do Mar. No entanto, apesar do tamanho
dos remanescentes florestais da Ecorregião Serra do
Mar, certas espécies de animais de grande porte e requerimentos
ambientais complexos, como a onça-pintada (Panthera
onca), a queixada (Tayassu pecari) e a harpia (Harpia harpija)
são nela muito raros, tendo sido registrados umas poucas
vezes ao longo das últimas 3 décadas. Embora
esteja presente no Complexo P.E.T.A.R./Carlos Botelho/Intervales,
a onça-pintada não tem registro recente documentado
no Parque Estadual da Serra do Mar, a maior unidade de conservação
da região, enquanto a harpia não teve presença
recente confirmada em nenhuma parte da ecorregião.
Já a queixada é muitíssimo rara, mesmo
nas duas grandes unidades de conservação citadas.
Os motivos para a raridade ou ausência dessas espécies
em áreas tão grandes não são claros,
já que elas ocorrem em fragmentos bem menores (por
exemplo no Alto Paraná). Fatores históricos,
como a caça persistente, combinados com aspectos naturais
(menor produtividade dessa floresta em relação
àquelas estacionais semideciduais) podem fornecer uma
hipótese explicativa. Outras espécies de grande
porte e requerimentos complexos – anta (Tapirus terrestris),
cateto (Tayassu tajacu), jaguatirica (Leopardus pardalis),
suçuarana (Puma concolor), gaviões-pega-macaco
(gêneros Spizaetus, Spizastur) e gaviões-pomba
(Leucopternis spp) – são freqüentes nos
grandes fragmentos florestais da ecorregião.
AVES
A
Mata Atlântica têm cerca de 200 espécies
de aves endêmicas, muitas das quais de distribuição
ampla ao longo da costa brasileira, ocorrendo desde o sul
do Estado da Bahia até o norte do Rio Grande do Sul,
seguindo pelo interior do Paraná até a região
de Misiones na Argentina. Aproximadamente 30 espécies
são endêmicas, ou preponderantemente distribuídas
na Ecorregião Serra do Mar, sendo algumas de ocorrência
bastante restrita. Destacam-se duas espécies de psitacídeos
– sabiá-cica (Triclaria malachitae) e papagaio-do-mangue
(Amazona brasiliensis) -, cotingídeos de florestas
de altitude (Carpornis cucullatus, Tijuca condita, T. atra
e Caliptura cristata), alguns tangarás (Dacnis nigripes,
Thraupis cyanoptera e Tangara desmaresti) e uma série
de papa-moscas (ex. Mionectes rufiventris Phylloscartes kronei
P. difficilis Hemitriccus furcatus H. kaempferi H. orbitatus)
e formicarídeos (ex. Drymophila rubricollis, D. genei,
Drymophila ochropyga, Dysithamnus xanthopterus, Formicivora
erythronotos, Stymphalornis acutirostris, Myrmotherula unicolor,
M. fluminensis, M.minor, M. gularis). É interessante
notar que, ao longo das serras dos estados de São Paulo
e Rio de Janeiro (e também Espírito Santo),
a riqueza de espécies de aves florestais diminui das
baixadas para as regiões de maior altitude, enquanto
a porcentagem de espécies endêmicas da Mata Atlântica
aumenta no mesmo sentido até se constituir em cerca
de metade da avifauna das florestas de altitude, acima de
1200m.
RÉPTEIS
Cerca de 20 espécies
de serpentes são endêmicas da Ecorregião
Serra do Mar, com destaque para as jararacas insulares –
Bothrops sp.nov e B. insularis –, espécies de
matas de altitude – Bothrops fonsecai, Gomesophis brasiliensis,
Liophis atraventer, Tropidodryas striaticeps, Pseudoboa serrana
e Micrurus decoratus – e a jibóia Corallus cropani,
extremamente rara. Além das cobras, quelônios
do gênero Hydromedusa – H. maximiliani e H. tectifera
- ocorrem nos riachos de corredeira em áreas serranas
do sudeste e sul, e o lagarto Placosoma glabelum (Gymnophtalmidae)
ocorre associado a bromélias da floresta ombrófila
densa submontana. Outros lagartos - Liolaemus lutzae e Mabouya
caissara – ocorrem associados aos ambientes costeiros
da ecorregião, enquanto os estuários da ecorregião
abrigam as maiores populações do jacaré-de-papo
amarelo (Caiman latirostris), ameaçado de extinção.
ANFÍBIOS
As
espécies de anfíbios mais características,
muito diversificadas na ecorregião, estão associadas
aos riachos de corredeira. Pelo menos um gênero de hilídeo
(Phasmahyla) e vários gêneros de lepitodactilídeos
(Cycloramphus, Crossodactylus, Hylodes e Megaelosia) formam
grupos de espécies alopátricas distribuídos
pelas diferentes cadeias montanhosas do complexo da Serra
do Mar e vizinhança. Além disso, devem ser consideradas
a família Brachycephalidae, endêmica desta formação,
as pererecas do gênero Fritziana, associadas a bambus
ou bromélias, e uma série de espécies
de distribuição restrita, tais como Aparasphenodon
bokermanni, Hyla izecksohni, Hyla clepsydra, Phrynomedusa
spp, Scinax jureia (Hylidae), Cycloramphus juimirin, Hylodes
sazimai, Megaelosia bocainensis, M. lutzae, M. massarti, Odontophrynus
moratoi, Melanophryniscus moreirae e o gênero Paratelmatobius
(Leptodactylidae). Por fim, cabe lembrar que as condições
físicas e históricas da região favorecem
a diversificação do grupo e novas espécies
de anfíbios vêm sendo descritas freqüentemente.
INVERTEBRADOS
A
fauna de invertebrados das florestas ombrófilas densas
é muito rica e a Serra do Mar não foge à
regra. Milhares de espécies de insetos foram encontradas
na região e muitas outras ainda estão por ser
descritas ou mesmo encontradas. Várias borboletas endêmicas
e ameaçadas de extinção são características
das restingas, florestas montanas e campos de altitude da
ecorregião: Actinote quadra, A. zikani, Arawacus aethesa,
Callicore hydarnis, Cyanophris berta, Dasyophtalma delanira,
D. geraensis, Drephalys mourei, D. miersi, Eucorna sanarita,
H. leptalina leptalina, Heraclides himeros himeros, Hypoleria
fallens, Mesenops albivitta, Mimoides lysithous harrisianus,
Mycastor leucarpis, Nirodia alphegor, Orobrassolis ornamentalis,
Panara ovifera, Parides ascanius, P. bunichus chamissonia,
Parides a. ascanius, Polygrapha suprema, Prepona deiphile
e Tithorea harmonia caissara.
(fonte: Eduardo Accaccio/WWF-Brasil)
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