
O Domínio da Mata Atlântica
ou Bioma Mata Atlântica engloba uma área de 1.306.000
km², cerca de 15% do território nacional, cobrindo
total ou parcialmente 17 estados brasileiros. Corresponde
a um mosaico de ecossistemas florsestais e outros ecossistemas
florestais e outros ecossistemas associados (restingas, manguezais,
etc.) que formavam um grande contínuo florestal à
época do descobrimento do Brasil.
Um dos pontos que mais tem
gerado discussão em torno da chamada Mata Atlântica
é a definição real dos seus domínios.
Alguns autores definem sua distribuição como
restrita a faixa litorânea ( Joly et al. 1991; Leitão
Filho, 1982 in LEME, .M.C.1993); outros admitem uma penetração
para o interior na região Sudeste (Rizzini, 1963; Romariz,
1972 in LEME, .M.C.1993).
Segundo o Decreto Lei 750/93,
o Domínio da Mata Atlântica, é definido
como:
"O espaço que contém
aspectos fitogeográficos e botânicos que tenham
influência das condições climatológicas
peculiares do mar (Joly/70) incluindo as áreas associadas
delimitadas segundo o Mapa de Vegetação do Brasil
(IBGE,1993) que inclui as Florestas Ombrófila Densa,
Floresta Ombrófila Mista, Floresta Ombrófila
Aberta, Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Estacional
Decidual, manguezais, restingas e campos de altitude associados,
brejos interioranos e encraves florestais da Região
Nordeste"
 |
Este conceito está
baseado na opinião da maioria de botânicos e
fitogeógrafos, que admitem que a Mata Atlântica
seria a porção territorial recoberta de florestas
densas que acompanha o litoral do Oceano Atlântico,
indo do Rio Grande do Sul ao Nordeste, adentrando por algumas
faixas do interior do País, incluindo as florestas
caducifólias e semicaducifólias (DEUSDARÁ
FILHO, R. 1998).
Segundo SILVA, S. M. (1999), em um sentido mais amplo, o termo
Floresta Atlântica pode referir-se a todo o conjunto
de formações florestais extra-amazônicas,
com ocorrência desde "ilhas" isoladas no interior
do nordeste do Brasil, chegando até sua costa, e daí
seguindo até o nordeste-norte do Rio Grande do Sul,
ocupando uma faixa de largura bastante variável que
percorre toda a costa brasileira. Nas regiões sul e
sudeste esta faixa torna-se mais larga, chegando praticamente
até o vale do rio Paraná e de seus principais
formadores da margem esquerda, incluindo as florestas com
Araucaria características do Planalto Meridional Brasileiro.
No Projeto de Lei nº285/1999
em tramitação no Congresso, o DMA é descrito
como "Ecossistemas Atlânticos" e definido
no artigo 2º como: Para os efeitos desta Lei, consideram-se
Ecossistemas Atlânticos a vegetação nativa
da Mata Atlântica e ecossistemas associados, da Serra
do Mar e da Zona Costeira, com as seguintes delimitações
estabelecidas pelo Mapa de Vegetação do Brasil,
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
– IBGE, de 1993: a totalidade das florestas Ombrófila
Densa, Ombrófila Mista, também denominada de
Mata de Araucárias, Ombrófila Aberta, Estacional
Semidecidual e Estacional Decidual, localizadas nos
Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná,
São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito
Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba,
Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, as Florestas
Estacionais Semideciduais e Deciduais do Estado de Mato Grosso
do Sul localizadas nos vales dos rios da margem direita do
Rio Paraná e Serra da Bodoquena e do Estado de Goiás
localizadas nas margens do Rio Paranaíba, bem como
os manguezais, as vegetações de restingas, de
dunas e de cordões arenosos, as ilhas litorâneas
e os demais ecossistemas associados às formações
anteriormente descritas conforme segue:
I
- |
os encraves de savanas,
também denominados de cerrados, compreendidos
no interior das Florestas Ombrófilas; |
II
- |
os encraves de estepes, também
denominados de campos, compreendidos no interior das
Florestas Ombrófilas; |
III
- |
os encraves de campos de altitude,
compreendidos no interior das Florestas Ombrófilas; |
IV
- |
as matas de topo de morro e de
encostas do Nordeste, também denominadas brejos
e chãs; |
V
- |
as formações vegetais
nativas dos Arquipélagos de Fernando de Noronha
e Trindade; |
| VI
- |
as áreas de tensão
ecológica, também denominadas de contatos,
entre os tipos de vegetação descritos
nas alíneas anteriores. |
|
Fisionomias vegetais inseridas
no Domínio da Mata Atlântica - DMA (1) |
|
Fitofisionomias (2) |
km2 (3) |
% (4) |
| Formações
Florestais |
| Ombrófilas |
| Densa |
| Aberta |
| Mista |
| Estacionais |
| Semidecidual |
| Decidual |
| Zonas de Tensão Ecológica |
| Encraves |
| Refúgio Ecológico |
| Formações
Pioneiras |
| Total DMA |
|
1
041 998 |
| 406
446 |
218 790 |
| 18
740 |
168 916 |
| 635
552 |
486 500 |
| 149
052 |
157 747 |
| 65
468 |
103 |
| 41
105 |
1 306 421 |
|
79,76 |
| 31,11 |
16,75 |
| 1,43 |
12,93 |
| 48,65 |
37,24 |
| 11,41 |
12,07 |
| 5,01 |
0,01 |
| 3,15 |
100,00 |
|
|
(1)
Conforme CONAMA, 1992
(2) Mapa de vegetação do Brasil. IBGE,
1993
(3) ISA, 1999
(4) Sobre a área total do DMA
DMA – Domínio da Mata Atlântica (CONAMA,
1992) |
|
Área original da Mata Atlântica
segundo definição do Conselho Nacional
do Meio Ambiente – CONAMA |
|
UF |
Área
UF |
Área
|
|
km2
(1) |
km2
(2) |
%
(3) |
Alagoas |
Bahia |
Ceará |
Espírito
Santo |
Goiás |
Mato
Grosso do Sul |
Minas Gerais |
Paraíba |
Pernambuco |
Piauí |
Paraná |
Rio
de Janeiro |
Rio Grande do
Norte |
Rio
Grande do Sul |
Santa Catarina |
Sergipe |
São Paulo |
Total |
|
| 27 933 |
|
567 295 |
146 348 |
46
184 |
341 290 |
358
159 |
588 384 |
56
585 |
98 938 |
252
379 |
199 709 |
43
910 |
53 307 |
| 282
062 |
95 443 |
| 22
050 |
248 809 |
| 3
428 783 |
|
14
529 |
177
924 |
4 878 |
46
184 |
10 687 |
51
536 |
281 311 |
6
743 |
17 811 |
22
907 |
193 011 |
43
291 |
3 298 |
| 132
070 |
95 265 |
| 7
155 |
197 823 |
| 1
306 421 |
|
52,01 |
31,36 |
3,33 |
100,00 |
3,13 |
14,39 |
47,81 |
11,92 |
18,00 |
9,08 |
96,65 |
98,59 |
6,19 |
| 46,82 |
99,81 |
| 32,45 |
79,51 |
| 38,10 |
|
| (1)
IBGE, 1999
(2) ISA, 1999
(3) Sobre a área da UF
DMA - Domínio Mata Atlântica (CONAMA, 1992) |
|